Durante anos, o Suzuki Vitara foi presença habitual nas estradas portuguesas. Antes da explosão do segmento SUV, já conciliava uma posição de condução elevada, dimensões compactas e uma aptidão fora de estrada que poucos conseguiam replicar.
Entretanto, os SUV cresceram, sofisticaram-se, eletrificaram-se, receberam interiores mais requintados e ganharam uma oferta tecnológica que, há poucos anos, parecia reservada a segmentos superiores. E, com a entrada em cena de novos protagonistas, o Vitara perdeu inevitavelmente o protagonismo que chegou a ter.
Mas deixou de ter importância? Talvez não. Há modelos que envelhecem por deixarem de ser competitivos, enquanto outros se limitam a manter-se fiéis à sua fórmula original. Parece ser o caso deste SUV.
Por isso, depois de mais de 600 quilómetros percorridos em estrada nacional, autoestrada e alguns troços fora de estrada conclui que o Vitara continua, afinal, fiel àquilo que sempre foi.

Atualização discreta, base inalterada
A atualização mais recente modernizou discretamente a dianteira, mas preservou um desenho que continua a privilegiar proporções equilibradas, boa visibilidade e uma imagem robusta, sem necessidade de excessos estilísticos.
Pode até não ser o SUV com as linhas mais arrojadas do segmento. Contudo, a simplicidade e a coerência do conjunto permitem-lhe manter a sua identidade.
Além de ligeiros retoques estéticos, o sistema multimédia foi revisto e houve um reforço dos sistemas de assistência à condução, alinhando-os com as atuais exigências europeias.
No essencial, contudo, pouco mudou. A plataforma mantém-se, tal como a filosofia do modelo. Importa também esclarecer que este Vitara nada tem a ver com o e Vitara elétrico. Apesar da partilha do nome, são dois automóveis distintos, com arquiteturas e objetivos completamente diferentes.
Neste Vitara, a abordagem continua a ser tradicional: motor térmico assistido por um sistema mild hybrid, peso reduzido e um sistema de tração integral que faz a diferença num segmento cada vez mais orientado para o asfalto.
Interior consistente
O habitáculo não impressiona à primeira vista. O seu design é datado e predominam os plásticos rígidos, ao contrário de alguns concorrentes que conseguem transmitir uma sensação de qualidade superior assim que se abre a porta.
No entanto, a experiência após alguns dias revelou outro tipo de virtude: ao longo do ensaio não surgiram ruídos parasitas, mesmo em pisos degradados ou nos percursos realizados fora do alcatrão.
A sensação com que fiquei foi a de que, enquanto alguns carros apostam no impacto inicial, o Vitara convence com uma montagem que transmite solidez e uma sensação de resistência à passagem do tempo, de um automóvel construído para durar.
Pormenor curioso: no espaço antes ocupado por um relógio analógico, a zona central do tablier passou a integrar, na atualização de 2024/2025, a câmara do Driver Monitoring System (DMS).
Instalada imediatamente acima do ecrã multimédia e entre as saídas centrais de ventilação, esta câmara monitoriza continuamente o rosto, os olhos e a direção do olhar do condutor. O seu propósito é detetar sinais de distração ou fadiga e emitir alertas sempre que identifica uma potencial situação de risco.
Espaço e utilização
As dimensões compactas continuam a ser uma vantagem em contexto urbano. A visibilidade é boa e a posição de condução elevada melhora a visibilidade, principalmente nas manobras mais “apertadas”.
Atrás, o espaço é suficiente para dois adultos. Mas fica aquém de alguns concorrentes, sobretudo em largura e no espaço disponível para as pernas.
A bagageira oferece 362 litros de capacidade na versão AllGrip, podendo atingir cerca de 1.120 litros com os bancos traseiros rebatidos. Valores que cumprem sem ambições de liderança entre os B-SUV.
No entanto, existe algo nem sempre mencionado mas igualmente importante: a capacidade de reboque até 1.500 kg com travão, torna o Suzuki Vitara capaz de rebocar pequenas caravanas, embarcações ou atrelados, capacidade nem sempre encontrada entre veículos SUV desta dimensão.
Peso faz a diferença
Numa época em que os SUV acumulam peso devido à eletrificação e ao aumento de equipamento, o Vitara destaca-se precisamente pelo contrário.
O baixo peso sente-se; e sente-se bem. Na agilidade em estrada que, sem fazer do Vitara um desportivo, surpreende e torna-o divertido de conduzir. Já a direção, previsível, e a suspensão controlam sem sobressaltos os movimentos da carroçaria.
O motor 1.4 Boosterjet mild hybrid de 48 V propõe um compromisso equilibrado entre disponibilidade de potência e suavidade na entrega de binário. A assistência elétrica ajuda nas recuperações, tornando o motor particularmente agradável entre as 1.500 e as 3.500 rpm, enquanto a caixa automática de seis velocidades privilegia claramente o conforto do andamento.
O consumo médio registado de 7,4 l/100 km não está muito distante dos seus rivais e enquadra-se no que se espera de um motor a gasolina comandado por uma caixa automática e coerente com a utilização de tração integral.
AllGrip: o trunfo do Vitara
Mas é fora do asfalto que este Suzuki Vitara mais se distingue. Em condução normal, o sistema AllGrip Select atua de forma discreta e privilegia a tração dianteira. Contudo, quando o piso perde aderência, um acoplamento multidisco controlado eletronicamente transfere progressivamente binário para o eixo traseiro, sem que o condutor tenha de intervir.
Para decidir quando e quanto binário deve enviar para as rodas traseiras, o sistema monitoriza continuamente parâmetros como a velocidade de cada roda, a posição do acelerador, o ângulo da direção, a aceleração lateral e os movimentos da carroçaria. O objetivo não é apenas reagir à perda de aderência, mas antecipá-la sempre que possível.
Além do modo Auto, que privilegia a eficiência, o AllGrip Select disponibiliza os programas Sport, Snow e Lock.
O primeiro torna a resposta do acelerador mais imediata e mantém uma pré-carga mais elevada sobre o eixo traseiro. O modo Snow otimiza a motricidade em neve, lama, gravilha ou gelo, enquanto o modo Lock, apesar da designação, não bloqueia mecanicamente os diferenciais. Em vez disso, mantém o acoplamento traseiro praticamente permanente a baixa velocidade, utilizando o sistema de travagem para simular o bloqueio das rodas que perdem aderência.
A transição entre estados é progressiva, contudo, perceptível. Em caminhos florestais, gravilha ou lama, o eixo traseiro deixa de assumir um papel secundário e contribui ativamente para a motricidade.
Sem pretender substituir um verdadeiro todo-o-terreno, o peso baixo, a altura ao solo e a eficácia do AllGrip Select, dão ao Vitara uma competência fora de estrada que poucos concorrentes parecem ser capazes de igualar.
Ficha Técnica do Suzuki Vitara 1.4T S3 4WD AT
| Motor | 1.373 cm³, 4 cilindros em linha, turbo, injeção direta, Mild Hybrid 48V |
|---|---|
| Transmissão | Caixa automática de 6 velocidades (6AT) com tração integral AllGrip Select |
| Motor Elétrico | Motor-gerador ISG de 48 V (10 kW / 13,6 cv; 53 Nm) |
| Potência máxima | 129 cv (95 kW) às 5.500 rpm |
| Binário máximo | 235 Nm entre 2.000 e 3.000 rpm |
| Aceleração (0-100 km/h) | 10,2 s |
| Velocidade máxima | 190 km/h |
| Consumo combinado (WLTP) | 5,8 – 6,2 l/100 km |
| Emissões CO₂ (WLTP) | 131 – 141 g/km |
| Dimensões (C × L × A) | 4.185 × 1.775 × 1.610 mm |
| Distância entre eixos | 2.500 mm |
| Altura ao solo | 175 mm |
| Bagageira (5 lugares) | 362 litros |
| Bagageira (bancos rebatidos) | Até 1.120 litros |
| Pneus | 215/55 R17 |
| Peso em vazio | 1.295 kg |
| Capacidade de reboque (com travão) | 1.500 kg |
| Capacidade de reboque (sem travão) | 600 kg |
| Depósito de combustível | 47 litros |


























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