O mercado automóvel português terminou o primeiro semestre de 2026 com sinais evidentes de crescimento. No entanto, a principal conclusão vai muito além do aumento do número de matrículas.
Os primeiros seis meses do ano confirmam uma transformação estrutural nas vendas de Veículos Ligeiros (VLP) em Portugal, com a eletrificação do automóvel a consolidar-se à custa da perda constante de importância das motorizações a gasóleo.
Confirmam também uma crescente competitividade entre os fabricantes, com a entrada de novas marcas, sobretudo de origem chinesa, que estão a conquistar rapidamente quota de mercado.
Este é o primeiro de uma série de artigos dedicados à análise do mercado automóvel português no final do primeiro semestre de 2026.
Análise dos números
Entre os meses de Janeiro e Junho, foram matriculados 150.749 Veículos Ligeiros novos em Portugal, o que representa um aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.
No segmento dos Veículos Ligeiros de Passageiros, o crescimento foi de 10,5%, com um total de 137.080 unidades. Os Veículos Comerciais Ligeiros (ou Veículos Ligeiros de Mercadorias) também registaram uma evolução positiva de 5,8%, com 16.669 novos registos no final do semestre.
Após março, junho foi o mês que registou o maior número de matrículas de Veículos Ligeiros de Passageiros. Este dado consolida a tendência de crescimento verificada desde o início do ano.

O gráfico acima mostra também como este crescimento se verificou no segmento dos Veículos Comerciais Ligeiros (VCL).
A eletrificação torna-se no principal motor do mercado
De facto, se há uma tendência que define o primeiro semestre de 2026, essa tendência é a afirmação clara da eletrificação.
De acordo com os números da ACAP, os veículos movidos por energias alternativas já representam 74,2% das matrículas de Veículos Ligeiros de Passageiros.
Contudo, importa decompor estes números e concentrar a análise nos modelos com elevada autonomia elétrica, dado que muitos veículos híbridos são apenas mild-hybrid. Isso significa que podem apenas percorrer distâncias curtas em modo 100% elétrico (e em condições ideais), sendo que a tecnologia de 48V aplicada destina-se, muitas vezes, apenas a reduzir um par de gramas de CO₂.
A extração destes carros não impede a avaliação positiva do crescimento do número de modelos BEV e PHEV, que concentraram quase 40% das vendas. Ou seja, no final do primeiro semestre, representaram mais de um terço das matrículas (39,64%).
O crescimento destes veículos foi muito superior ao do mercado global. Enquanto o mercado dos veículos ligeiros aumentou 10% nos primeiros seis meses de 2026, as matrículas dos veículos ligeiros de passageiros BEV e PHEV cresceram 25,3% e 14,3%, respetivamente.

A quota de mercado conquistada por estas duas motorizações foi fortemente impulsionada pelo resultado de junho, conforme demonstrado através deste gráfico.
Um dado bastante importante são também os números relativos aos Veículos Ligeiros de Mercadorias.
Neste caso, a subida percentual foi ainda mais expressivo, apesar de os números continuarem modestos quando comparados com os valores de VLP: de 1.541 unidades em 2025 para 3.187 matrículas no final do primeiro semestre de 2026. Um crescimento de três dígitos, de quase 107%, bastante destacado através da barra escura deste gráfico:

Em conclusão, os dados fornecidos pela ACAP confirmam não só um crescimento do mercado em 2026, mas também que é a eletrificação que está a impulsionar a evolução do setor.
Fontes
Dados: ACAP, Associação Automóvel de Portugal
Gráficos: AUTOINFORMA/ACAP














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