Há automóveis que nos incitam a conduzir depressa. Outros, porém, convidam-nos sobretudo a continuar a conduzir. O que o Omoda 7 SHS-P me transmitiu é de que pertence claramente a este segundo grupo.
Com 279 cv de potência e uma capacidade de aceleração que não deixa dúvidas quanto às reservas disponíveis, seria fácil esperar um SUV com ambições desportivas. Ao volante, porém, não fiquei com essa impressão.
O Omoda 7 privilegia o conforto, a tranquilidade e a facilidade de utilização. E, em meu entender, é precisamente aí que reside a sua maior virtude.
“A potência está lá, mas o conforto inspira outro andamento
Personalidade própria
É impossível conduzir o Omoda 7 sem me lembrar do Omoda 9 que também tive a oportunidade de conduzir. Apesar das suas dimensões e peso, o modelo superior transmitiu-me uma atitude mais dinâmica, despertando-me a vontade de explorar de outra forma as suas capacidades.
No Omoda 7, a sensação é diferente. A sua personalidade surge mais próxima daquilo que aprecio num SUV familiar sem grandes ambições desportivas. Apenas com a resposta imediata que é necessária para superar com segurança uma ultrapassagem, ou rapidez para me sentir tranquilo perante uma mudança de faixa.
Não me pareceu, pois, uma limitação do modelo. Apenas uma opção que faz sentido para um tipo de consumidor que não troca conforto por alguns segundos a menos no potencial de aceleração.
Conforto acima da dinâmica
Efetivamente, bastaram-me poucos quilómetros para perceber a primeira das três apostas da Omoda com este carro: o conforto
O 7 SHS-P é, realmente, muito confortável. Tem uma suspensão que filtra bem as irregularidades do piso e que poupa os ocupantes à maioria das imperfeições da estrada. Mesmo quando a potência disponível poderia inspirar uma condução mais enérgica, o conjunto inspira e transmite uma sensação de serenidade que convida a relaxar e desfrutar da paisagem.
A direção também não estabelece uma ligação particularmente intensa com o condutor. Leve e suave de utilizar, sem perder precisão ou inspirar insegurança, não pretende transformar cada curva numa experiência desportiva.
Talvez seja precisamente por isso que os 279 cv tenham um cabimento mais racional neste contexto, em vez dos 537 cv entregues pela combinação mecânica do Omoda 9 SHS-P.
SHS-P: o que é o Super Hybrid System?
O Omoda 7 SHS-P possui a mesma estrutura de base do Omoda 9: um motor de combustão 1.5 TGDI de quatro cilindros associado a uma caixa de velocidades híbrida dedicada DHT e a motores elétricos.
No entanto, a configuração não é exatamente a mesma, o que explica a grande diferença de potência entre os dois modelos.
No Omoda 7, o motor 1.5 TGDI de ciclo Miller desenvolve 143 cv e 215 Nm. Este motor é coadjuvado por mais dois motores elétricos: o de tração com 150 kW (204 cv) e 310 Nm e outro com 60 kW (82 cv), dedicado sobretudo à produção de energia. Em conjunto, estes motores fornecem 279 cv de potência e 365 Nm de binário.
No Omoda 9, a mesma base 1.5 TGDI está integrada num sistema substancialmente mais potente, que inclui três motores elétricos: dois no eixo dianteiro e um no eixo traseiro. O resultado são 537 cv e 650 Nm de potência e binário combinados, com tração integral.
Daí que, embora o Omoda 7 tenha potência mais do que suficiente para uma utilização normal, a sua resposta seja mais progressiva e familiar. Como valores, anuncia 8,4 segundos para acelerar dos 0 aos 100 km/h e uma velocidade máxima de 180 km/h.
Autonomia elétrica com benefício fiscal
A autonomia total anunciada é superior a 1.200 km, enquanto que o consumo combinado homologado é de 2,3 l/100 km. Naturalmente, estes valores devem ser interpretados no contexto do ciclo WLTP de um híbrido plug-in, e não como uma expectativa de consumo com a bateria descarregada.
Nesse caso, e porque o sistema híbrido e a capacidade de regeneração permitiram e convidaram a um andamento muito eficiente, o consumo médio situou-se acima dos 6,0 l/100 km. Com uma carga de bateria que estava a menos de metade no início do ensaio e após 500 km de viagem em ritmo de passeio.
De acordo com o mesmo ciclo, a bateria LFP de 18,4 kWh permite ao Omoda 7 percorrer até 90 km em modo totalmente elétrico. Isto significa que os empresários em nome individual (ENI) e as empresas podem deduzir o IVA do custo de aquisição deste modelo, desde que tenham direito a essa dedução e afetem o veículo à atividade profissional. De acordo com o regime fiscal em vigor em 2026, uma vez que o seu custo de aquisição sem IVA está claramente abaixo dos 37.500 euros, os encargos com esta viatura podem ser sujeitos a uma taxa de Tributação Autónoma mais reduzida que, atualmente, é de 2,5%.
No que toca ao carregamento, o Omoda 7 aceita até 6,6 kW em corrente alternada e 40 kW em corrente contínua. Num carregador rápido de corrente contínua, é possível passar de 30% para 80% de carga em cerca de 20 minutos.
Um SUV muito familiar
Nas rotinas diárias, descobrem-se outras apostas bem sucedida da Omoda com este modelo: a funcionalidade e o espaço.
A posição de condução é confortável e a habitabilidade interior é outra das qualidades que facilmente condutor e passageiros apreciam após algumas horas de condução.
De facto, a distância entre eixos e a disposição do interior permitem criar uma zona traseira claramente concebida para utilização familiar. Há espaço suficiente para dois adultos viajarem com bastante conforto, sobretudo ao nível das pernas.
Na bagageira, a história é ligeiramente diferente. A presença da bateria do sistema híbrido condiciona inevitavelmente o aproveitamento do espaço, que ronda os 401 litros. Ainda assim, a capacidade disponível pareceu-me suficiente para uma utilização familiar normal.
Com os bancos traseiros rebatidos, a capacidade aumenta consideravelmente: ficam disponíveis quase 1.300 litros sobre um piso praticamente plano, que facilita e torna mais seguro o transporte, a carga e a descarga de objetos mais volumosos.
Tecnologia europeizada
A par do conforto e da eficiência, há também uma aposta da Omoda que merece ser destacada: a tecnologia e o cuidado com que o sistema multimédia se ajustou a um automóvel destinado ao mercado europeu.
Embora o ecrã central de grandes dimensões (15,6 polegadas) seja uma das características mais visíveis, o mais importante é a forma como o sistema está organizado. A interface é bastante intuitiva e a sua lógica de funcionamento não exige uma aprendizagem demorada.
Por isso, apesar de alguns detalhes e traduções, a experiência de utilização está claramente mais “ocidentalizada” do que aquela que por vezes encontro em modelos de fabricantes chineses. E este pormenor não é de somenos importância, já que, por razões de segurança, a tecnologia não deve obrigar o condutor a despender demasiado tempo a descobrir como funcionam funções importantes.
Com o mesmo propósito, existe ainda uma fila de botões físicos que permitem aceder a funcionalidades úteis durante a condução, como o controlo dos modos de condução, do ar condicionado ou do sistema de desembaciamento dos vidros, por exemplo.
Uma consola central bastante útil
Entre os bancos dianteiros há outro pormenor que mereceu atenção: uma consola central com vários compartimentos, prática e funcional.
Porém, nem tudo está ainda no seu melhor nível. Se o Omoda 7 impressiona pelo conjunto, alguns pormenores mostram que ainda há espaço para a marca melhorar certos aspetos do produto. Para mim, o sistema de abertura das portas é um deles.
A solução adotada procura reforçar a imagem tecnológica e minimalista do modelo. Mas nem sempre a simplicidade visual corresponde à mesma facilidade de utilização, no dia a dia. Contudo, estes detalhes não comprometeram a experiência global ou diminuem a capacidade do 7 PHEV competir de igual com os seus pares.
Posicionamento para empresas
Apesar do número crescente de clientes particulares que procuram soluções de mobilidade elétrica total ou parcial, como é o caso do Omoda 7, as matrículas em Portugal destas duas motorizações continuam a ser dominadas pelas compras do mercado empresarial.
Analisei um aspeto importante da posição do Omoda 7 neste segmento, comparando os valores de aluguer propostos pela principal empresa gestora de frotas em Portugal, a Ayvens.
A Omoda|Jaecoo também disponibiliza uma solução de renting própria para o mercado ibérico, operacionalizada pela Arval Service Lease, que assume a contratação e a aprovação dos contratos. No entanto, os diferentes prazos de contratação e serviços não me permitem estabelecer uma comparação direta com os valores indicados pela Ayvens.
Já ao comparar os valores da Ayvens para contratos com a mesma maturidade, quilometragem e grau de serviços, constatei que o posicionamento do Omoda 7 em termos de renda é menos agressivo do que o seu preço de aquisição sugere. A oferta pública da Ayvens coloca o Omoda 7 Premium nos 796 euros/mês, para um período de 72 meses e uma quilometragem anual de 15.000 km, enquanto concorrentes como o CUPRA Terramar PHEV e o MG HS PHEV surgem, respetivamente, nos 681 e 749 euros.
A título de curiosidade, o Jaecoo 7 e o Toyota RAV4 anunciam rendas de, respetivamente, 719 e 859 euros. Todos os valores incluem IVA.
Não consigo afirmar com exatidão o impacto do valor residual nestas rendas ou de outros custos associados, como é o caso da manutenção. Ou mesmo do preço de aquisição, na maioria das vezes diretamente ligado às condições comerciais negociadas entre a marca e a gestora de frota. Mas, se abordo este aspeto, é porque se trata de mais um indicador que permitirá acompanhar no futuro a implantação e expansão da marca Omoda|Jaecoo em Portugal.
Ficha Técnica do Omoda 7 SHS-P
| Motor a gasolina | 1.5 TGDI turbo, 4 cilindros, 16 V, DOHC (143 cv / 215 Nm) |
|---|---|
| Motor elétrico | Sistema híbrido com dois motores elétricos; motor de tração de 150 kW (204 cv) / 310 Nm e motor-gerador de 60 kW (82 cv) |
| Potência combinada | 279 cv (205 kW) |
| Binário máximo | 365 Nm (combinado) |
| Transmissão | Automática DHT (Dedicated Hybrid Transmission), com tração dianteira (FWD) |
| Bateria | Iões de lítio LFP, 18,4 kWh |
| Carregamento | AC: 6,6 kW; DC: 40 kW, de 30% a 80% em cerca de 20 minutos |
| Autonomia elétrica WLTP | Até 90 km |
| Aceleração 0–100 km/h | 8,4 segundos |
| Velocidade máxima | 180 km/h |
| Consumo combinado WLTP | a partir de 2,3 l/100 km |
| Consumo total de energia elétrica (WLTP) | 21,5 kWh/100 km |
| Emissões CO₂ WLTP | a partir de 51 g/km |
| Bagageira | 537 L (anunciados); porém, cerca de 401 L segundo medição independente. 1.294 litros com bancos rebatidos. |
| Dimensões (C × L × A, largura com espelhos) | 4.660 × 1.875 × 1.670 mm |
| Distância entre eixos | 2.720 mm |
| Peso em vazio | cerca de 1.760 kg |

























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