Em análise no Radar: Suzuki Vitara 1.4T S3 4WD AT

Suzuki Vitara 2025

Durante anos, o Suzuki Vitara foi presença habitual nas estradas portuguesas. Antes da explosão do segmento SUV, já conciliava uma posição de condução elevada, dimensões compactas e uma aptidão fora de estrada que poucos conseguiam replicar.

Entretanto, os SUV cresceram, sofisticaram-se, eletrificaram-se, receberam interiores mais requintados e ganharam uma oferta tecnológica que, há poucos anos, parecia reservada a segmentos superiores. E, com a entrada em cena de novos protagonistas, o Vitara perdeu inevitavelmente o protagonismo que chegou a ter.

Mas deixou de ter importância? Talvez não. Há modelos que envelhecem por deixarem de ser competitivos, enquanto outros se limitam a manter-se fiéis à sua fórmula original. Parece ser o caso deste SUV.

Por isso, depois de mais de 600 quilómetros percorridos em estrada nacional, autoestrada e alguns troços fora de estrada conclui que o Vitara continua, afinal, fiel àquilo que sempre foi.

Atualização discreta, base inalterada

A atualização mais recente modernizou discretamente a dianteira, mas preservou um desenho que continua a privilegiar proporções equilibradas, boa visibilidade e uma imagem robusta, sem necessidade de excessos estilísticos.

Pode até não ser o SUV com as linhas mais arrojadas do segmento. Contudo, a simplicidade e a coerência do conjunto permitem-lhe manter a sua identidade.

Além de ligeiros retoques estéticos, o sistema multimédia foi revisto e houve um reforço dos sistemas de assistência à condução, alinhando-os com as atuais exigências europeias.

No essencial, contudo, pouco mudou. A plataforma mantém-se, tal como a filosofia do modelo. Importa também esclarecer que este Vitara nada tem a ver com o e Vitara elétrico. Apesar da partilha do nome, são dois automóveis distintos, com arquiteturas e objetivos completamente diferentes.

Neste Vitara, a abordagem continua a ser tradicional: motor térmico assistido por um sistema mild hybrid, peso reduzido e um sistema de tração integral que faz a diferença num segmento cada vez mais orientado para o asfalto.

Interior consistente

O habitáculo não impressiona à primeira vista. O seu design é datado e predominam os plásticos rígidos, ao contrário de alguns concorrentes  que conseguem transmitir uma sensação de qualidade superior assim que se abre a porta.

No entanto, a experiência após alguns dias revelou outro tipo de virtude: ao longo do ensaio não surgiram ruídos parasitas, mesmo em pisos degradados ou nos percursos realizados fora do alcatrão.

A sensação com que fiquei foi a de que, enquanto alguns carros apostam no impacto inicial, o Vitara convence com uma montagem que transmite solidez e uma sensação de resistência à passagem do tempo, de um automóvel construído para durar.

Pormenor curioso: no espaço antes ocupado por um relógio analógico, a zona central do tablier passou a integrar, na atualização de 2024/2025, a câmara do Driver Monitoring System (DMS).

Instalada imediatamente acima do ecrã multimédia e entre as saídas centrais de ventilação, esta câmara monitoriza continuamente o rosto, os olhos e a direção do olhar do condutor. O seu propósito é detetar sinais de distração ou fadiga e emitir alertas sempre que identifica uma potencial situação de risco.

Espaço e utilização

As dimensões compactas continuam a ser uma vantagem em contexto urbano. A visibilidade é boa e a posição de condução elevada melhora a visibilidade, principalmente nas manobras mais “apertadas”.

Atrás, o espaço é suficiente para dois adultos. Mas fica aquém de alguns concorrentes, sobretudo em largura e no espaço disponível para as pernas.

A bagageira oferece 362 litros de capacidade na versão AllGrip, podendo atingir cerca de 1.120 litros com os bancos traseiros rebatidos. Valores que cumprem sem ambições de liderança entre os B-SUV.

No entanto, existe algo nem sempre mencionado mas igualmente importante: a capacidade de reboque até 1.500 kg com travão, torna o Suzuki Vitara capaz de rebocar pequenas caravanas, embarcações ou atrelados, capacidade nem sempre encontrada entre veículos SUV desta dimensão.

Peso faz a diferença

suzuki VitaraNuma época em que os SUV acumulam peso devido à eletrificação e ao aumento de equipamento, o Vitara destaca-se precisamente pelo contrário.

O baixo peso sente-se; e sente-se bem. Na agilidade em estrada que, sem fazer do Vitara um desportivo, surpreende e torna-o divertido de conduzir. Já a direção, previsível, e a suspensão controlam sem sobressaltos os movimentos da carroçaria.

O motor 1.4 Boosterjet mild hybrid de 48 V propõe um compromisso equilibrado entre disponibilidade de potência e suavidade na entrega de binário. A assistência elétrica ajuda nas recuperações, tornando o motor particularmente agradável entre as 1.500 e as 3.500 rpm, enquanto a caixa automática de seis velocidades privilegia claramente o conforto do andamento.

O consumo médio registado de 7,4 l/100 km não está muito distante dos seus rivais e enquadra-se no que se espera de um motor a gasolina comandado por uma caixa automática e coerente com a utilização de tração integral.

Mas é fora do asfalto que este Suzuki Vitara mais se distingue. Em condução normal, o sistema AllGrip Select atua de forma discreta e privilegia a tração dianteira. Contudo, quando o piso perde aderência, um acoplamento multidisco controlado eletronicamente transfere progressivamente binário para o eixo traseiro, sem que o condutor tenha de intervir.

Para decidir quando e quanto binário deve enviar para as rodas traseiras, o sistema monitoriza continuamente parâmetros como a velocidade de cada roda, a posição do acelerador, o ângulo da direção, a aceleração lateral e os movimentos da carroçaria. O objetivo não é apenas reagir à perda de aderência, mas antecipá-la sempre que possível.

Além do modo Auto, que privilegia a eficiência, o AllGrip Select disponibiliza os programas Sport, Snow e Lock.

O primeiro torna a resposta do acelerador mais imediata e mantém uma pré-carga mais elevada sobre o eixo traseiro. O modo Snow otimiza a motricidade em neve, lama, gravilha ou gelo, enquanto o modo Lock, apesar da designação, não bloqueia mecanicamente os diferenciais. Em vez disso, mantém o acoplamento traseiro praticamente permanente a baixa velocidade, utilizando o sistema de travagem para simular o bloqueio das rodas que perdem aderência.

A transição entre estados é progressiva, contudo, perceptível. Em caminhos florestais, gravilha ou lama, o eixo traseiro deixa de assumir um papel secundário e contribui ativamente para a motricidade.

Sem pretender substituir um verdadeiro todo-o-terreno, o peso baixo, a altura ao solo e a eficácia do AllGrip Select, dão ao Vitara uma competência fora de estrada que poucos concorrentes parecem ser capazes de igualar.

Ficha Técnica do Suzuki Vitara 1.4T S3 4WD AT

Motor1.373 cm³, 4 cilindros em linha, turbo, injeção direta, Mild Hybrid 48V
TransmissãoCaixa automática de 6 velocidades (6AT) com tração integral AllGrip Select
Motor ElétricoMotor-gerador ISG de 48 V (10 kW / 13,6 cv; 53 Nm)
Potência máxima129 cv (95 kW) às 5.500 rpm
Binário máximo235 Nm entre 2.000 e 3.000 rpm
Aceleração (0-100 km/h)10,2 s
Velocidade máxima190 km/h
Consumo combinado (WLTP)5,8 – 6,2 l/100 km
Emissões CO₂ (WLTP)131 – 141 g/km
Dimensões (C × L × A)4.185 × 1.775 × 1.610 mm
Distância entre eixos2.500 mm
Altura ao solo175 mm
Bagageira (5 lugares)362 litros
Bagageira (bancos rebatidos)Até 1.120 litros
Pneus215/55 R17
Peso em vazio1.295 kg
Capacidade de reboque (com travão)1.500 kg
Capacidade de reboque (sem travão)600 kg
Depósito de combustível47 litros

Autor

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