O ensaio ao Volkswagen ID. Buzz GTX começou, confesso, ao som de Elis Regina. Não foi por acaso. Sou grande fã da cantora e uma das suas canções mais conhecidas foi utilizada num vídeo comercial que junta mãe e filha, Elis e Maria Rita, a cantarem enquanto uma conduz um VW T2 clássico e a mais nova um ID. Buzz.
Grande, alto e largo, assim é o ID. Buzz, que assume, sem complexos, uma arquitetura de monovolume. Um certo saudosismo numa época dominada pelos SUV…
Equipada com dois motores elétricos, esta versão GTX 4MOTION de 340 cv possui tração integral e revela uma capacidade de aceleração surpreendente para o seu conceito. Mas bastam alguns quilómetros para perceber que os 340 cv não convertem o ID. Buzz num carro desportivo. E ainda bem. A sua vocação continua a ser transportar pessoas com conforto, espaço e versatilidade, com uma reserva de potência superior à que uma utilização familiar faria supor ser necessária.
Uma das maiores virtudes do ID. Buzz reside não só nos seis lugares (também pode ter sete), mas também no facto de os bancos poderem ser efetivamente utilizados por adultos, sem que os da terceira fila pareçam uma solução de recurso
Espaço que faz a diferença
A verdade é que é impossível falar do ID. Buzz sem abordar o espaço interior e a flexibilidade do habitáculo. Particularmente nas versões com maior distância entre eixos, aquelas que podem acomodar uma bateria de maior capacidade.
A posição elevada do condutor, a grande superfície vidrada que envolve a carroçaria e a configuração do habitáculo geram uma sensação de amplitude pouco comum. Na versão de seis lugares, com dois bancos individuais na segunda fila e outros tantos na terceira, esta característica é ainda mais evidente. Todos os ocupantes beneficiam de um espaço generoso, incluindo os que viajam na zona traseira.
A possibilidade de ajustar os bancos permite adaptar o espaço às necessidades do momento. Uma solução particularmente interessante para famílias numerosas ou para quem utiliza frequentemente o veículo com seis passageiros.
Em contrapartida, com seis pessoas a bordo, o espaço disponível para bagagem reduz drasticamente. No entanto, os bancos podem ser deslocados, rebatidos ou removidos, transformando rapidamente o espaço destinado aos passageiros numa área de carga muito mais generosa.
Esta versatilidade confirma o ID. Buzz como um carro familiar por excelência. Não deixa por isso de ser também adaptável a um veículo de empresa, seja para deslocação de pessoal ou para fins turísticos. Uma espécie de serviço de shuttle Premium que, em si mesmo, é uma experiência de viagem distintiva.
Uma posição de condução pouco habitual
Ao volante, a primeira sensação é a de dominar a estrada. A posição elevada proporciona uma excelente visibilidade, o que contribui para que, apesar das suas dimensões exteriores, o ID. Buzz seja fácil de manobrar.
A direção é suave, sem ser excessivamente artificial, e o diâmetro de viragem é surpreendentemente reduzido para um veículo destas dimensões. A largura do veículo pode exigir mais atenção por parte do condutor, sobretudo ao estacionar, para não danificar as volumosas jantes equipadas com pneus de perfil baixo.
Para que servem 340 cv?
É provavelmente a questão que mais intriga. A resposta está na tração integral 4MOTION dos dois motores elétricos.
Os 340 cv e o binário imediato dos motores elétricos não servem apenas para acelerar com vigor. Beneficiam diretamente a capacidade de reboque, tornando o ID. Buzz GTX uma opção mais viável, quer para caravanas pequenas, quer para pequenos reboques profissionais, do que as versões menos potentes da gama.
No entanto, o ID. Buzz GTX não é um GTI. Embora a aceleração forte e imediata, sobretudo a velocidades intermédias, torne as ultrapassagens e as entradas em vias rápidas particularmente fáceis, a massa, a altura e a própria arquitetura do veículo, continuam a fazer-se sentir.
Nas curvas, o ID. Buzz pode ser conduzido com segurança, e até com alguma rapidez, mas, ainda assim, convém não explorar os seus limites. O comportamento mantém-se estável e previsível, com uma ligeira tendência para o subviragem quando o ritmo aumenta. Exatamente, o que seria de esperar de um veículo familiar com quase três toneladas.
A própria Volkswagen confirma que o objetivo foi aumentar a potência, a tração e a capacidade de utilização e não transformar o monovolume num carro desportivo.
Pneus não contribuem para um maior conforto
Naturalmente, o conforto é uma das razões para escolher um ID. Buzz. Em estrada aberta com bom piso é particularmente competente. A estabilidade e a qualidade da condução sobressaem, a suspensão absorve bem as irregularidades e o típico silêncio de um carro elétrico ajuda a criar um ambiente relaxante a bordo.
No entanto, o Volkswagen ID. Buzz GTX acrescenta uma variável que merece atenção: as jantes de grandes dimensões, com 21 polegadas de diâmetro. Em determinadas superfícies e, sobretudo, em ambiente urbano, estas podem tornar a suspensão mais rígida e transferir algumas irregularidades para o habitáculo.
Subsiste também algum ruído aerodinâmico e de pneus, inevitável num veículo com esta superfície frontal.
Tecnologia: melhor, mas ainda não perfeita
Com ecrã central de 12,9 polegadas e a mais recente geração de software, mais rápido e reativo, a Volkswagen resolveu algumas críticas que incidiam sobre os primeiros modelos da gama ID., nomeadamente a iluminação e a própria sensibilidade dos controlos deslizantes do climatizador.
Ainda assim, a dependência de comandos táteis e de algumas soluções digitais continua a necessitar de maior simplicidade e funcionalidade para o condutor.
A qualidade de alguns materiais do habitáculo pode também não acompanhar as expectativas. Alguns plásticos, sobretudo nas portas e no tablier, parecem excessivamente rígidos para um modelo desta gama. Um ponto positivo é que a limpeza do interior é habitualmente mais simples e rápida.
Autonomia e saudosismo
A bateria de maior capacidade disponível nesta configuração permite uma autonomia de até 407 km em ciclo combinado e de até 539 km em ciclo urbano, de acordo com a homologação WLTP. No entanto, o consumo real é naturalmente influenciado pelo peso, pela área frontal e pela tração integral.
Com 340 cv e tração integral, o Volkswagen ID. Buzz GTX não procura ser a versão mais eficiente da gama. Durante o ensaio, o consumo de energia chegou a ultrapassar os 30 kWh/100 km, sobretudo em momentos de condução mais exigente. Com uma condução moderada, a média final dos quilómetros percorridos ficou muito próxima dos 21 kWh/100 km, praticamente em linha com os 21,3 kWh/100 km homologados em ciclo WLTP.
Tendo em conta os valores registados, é mais prudente contar com uma autonomia de 360 a 370 km com a bateria totalmente carregada.
A capacidade de carregamento rápido compensa, em parte, esta limitação. Ao permitir carregamentos DC de até 185 kW, evita paragens demasiado longas para recarregar, desde que – claro! — haja um posto com esta capacidade disponível ao longo do trajeto.
No entanto, o ID. Buzz tem algo que não pode ser explicado por meras avaliações analíticas ou pela interpretação dos números: é um carro emocional.
O seu design, inspirado no modelo “Pão de Forma”, torna-o imediatamente reconhecível. Parece, simultaneamente, nostálgico e moderno, o que é importante num mercado onde muitos carros elétricos tendem a ser visualmente semelhantes e escasseiam alternativas comparáveis ao ID. Buzz.
Com uma identidade própria, este modelo corresponde, sem dúvida, aos anseios dos saudosistas que desejam reviver o espírito do T2 com a tecnologia do século XXI, para quem as limitações de autonomia não causam transtorno em viagem.
É também uma excelente opção para empresas que queiram associar a sua imagem a um veículo com uma forte identidade e uma carga emocional que poucos modelos conseguem transmitir.
Ficha Técnica do Volkswagen ID. Buzz GTX 4MOTION 84 kWh 340 CV - 6 Lugares
| Motor elétrico | Dois motores elétricos, um por eixo, tração integral 4MOTION (AWD) |
|---|---|
| Potência / Binário | 250 kW (340 CV) / 560 Nm |
| Transmissão | Automática, redutor de velocidade única |
| Bateria Iões de Lítio NMC (capacidade nominal/útil) | 400 V. 84 kWh brutos / 79 kWh úteis |
| Carregamento | AC: 11 kW (0–100% em cerca de 8h30) DC: até 185 kW (10–80% em cerca de 26 min) |
| Autonomia elétrica WLTP (combinada/cidade) | 407 km / 539 km |
| Aceleração 0–100 km/h | 6,1 segundos |
| Velocidade máxima | 160 km/h |
| Consumo combinado WLTP | 21,3 kWh/100 km |
| Emissões CO₂ WLTP | 0 g/km |
| Bagageira | 306 l / 1.121 litros (com/sem 3ª fila de bancos) |
| Peso bruto rebocável | 1.800 Kg/ 750 Kg (com/sem travão) |
| Pneus | 235/45 R21 104T XL à frente; 265/40 R21 108T XL atrás |
| Dimensões (C × L × A) | 4.712 × 1.985 × 1.927 mm |
| Distância entre eixos | 2.835 mm |
| Altura ao solo | 19,3 cm |
| Peso em Vazio | 2.754 kg |

























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