Horizonte Seguro 2026: prevenção rodoviária deve integrar a cultura das empresas

Horizonte Seguro 2026

O Montebelo Mosteiro de Alcobaça Historic Hotel recebeu, a 20 de outubro, o 3.º Encontro sobre Segurança Rodoviária nas Frotas – Horizonte Seguro 2026. A Cartrack Portugal e a SEGEF Frotas promoveram a iniciativa, que reuniu cerca de 200 participantes e 20 oradores. Entre os presentes, contavam-se responsáveis empresariais, gestores de frotas, especialistas em segurança rodoviária, investigadores e representantes de entidades públicas.

Sob o lema «Reconhecer, Estruturar e Mobilizar», o encontro procurou reforçar a importância de uma abordagem preventiva à sinistralidade rodoviária, que envolva todos os níveis de responsabilidade organizacional.

Mais do que cumprir as obrigações legais ou promover comportamentos seguros ao volante, as empresas enfrentam o desafio de integrar a segurança rodoviária nas suas decisões de gestão, nos procedimentos operacionais e na relação com os trabalhadores.

Esta responsabilidade não se limita às empresas de transporte e logística. Abrange qualquer organização cujos colaboradores utilizem veículos no exercício da sua atividade profissional, independentemente da dimensão ou composição da respetiva frota.

”O 3.º Encontro sobre Segurança Rodoviária nas Frotas destacou a importância de integrar a prevenção da sinistralidade na gestão empresarial, considerando os impactos económicos, sociais e reputacionais dos acidentes, bem como o papel da segurança na cultura das organizações e nos seus compromissos ESG

Sinistralidade rodoviária: impacto além dos danos materiais

Das intervenções e experiências partilhadas no Horizonte Seguro 2026, é possível retirar uma conclusão: os acidentes rodoviários em contexto profissional têm consequências que ultrapassam os danos materiais e os custos diretos. Além disso, podem afetar a produtividade, a continuidade da atividade e a reputação das empresas.

Às despesas de reparação dos veículos e aos encargos com seguros, podem somar-se períodos de imobilização, interrupções da atividade, absentismo, reorganização de equipas e perda de produtividade. Consoante a gravidade e as circunstâncias, um acidente pode igualmente comprometer acordos contratuais e afetar a continuidade dos serviços.

As apresentações e os debates permitiram enquadrar a sinistralidade numa dimensão reputacional. A ocorrência de acidentes graves, sobretudo quando evidenciam insuficiências nas políticas de prevenção, pode prejudicar a confiança de clientes, parceiros comerciais e trabalhadores.

No entanto, é na esfera humana que os acidentes rodoviários têm as consequências mais profundas. Lesões, incapacidades permanentes e perda de vidas afetam diretamente os trabalhadores e as suas famílias, com repercussões sociais que podem perdurar muito para além da sua ocorrência.

Esta leitura reforça a necessidade das empresas encararem a segurança rodoviária como uma responsabilidade organizacional que não depende exclusivamente dos comportamentos individuais dos condutores.

Prevenção reforça a dimensão social dos critérios ESG

Outro aspeto que se destaca das apresentações e debates é a importância de integrar a prevenção rodoviária nas políticas de sustentabilidade e responsabilidade empresarial. Neste contexto, ganha particular relevância a vertente social dos critérios ESG (Ambiental, Social e de Governança).

Embora a sustentabilidade das frotas esteja frequentemente associada à descarbonização, à eletrificação e à redução das emissões, as questões relacionadas com a segurança e proteção dos trabalhadores devem igualmente ser uma prioridade para as organizações.

O pilar social (S) dos critérios ESG abrange, entre outros aspetos, a saúde, a segurança e o bem-estar dos trabalhadores. Neste contexto, a prevenção rodoviária representa uma manifestação concreta da responsabilidade das empresas para com os seus colaboradores e a sociedade em geral.

As experiências partilhadas no encontro demonstraram a importância da formação dos condutores, da identificação de riscos e da melhoria das condições operacionais. Além disso, estas medidas contribuem para a eficiência das empresas e reduzem a exposição dos trabalhadores a situações de perigo. Por conseguinte, reforçam também a proteção dos restantes utilizadores da estrada.

Esta responsabilidade está relacionada com a dimensão de governação dos critérios ESG, que pressupõe o envolvimento das administrações, a definição de objetivos, o acompanhamento de indicadores e a avaliação dos resultados.

Assim, a segurança rodoviária deixa de ser uma preocupação exclusivamente operacional para assumir um papel mais relevante na estratégia de sustentabilidade e na cultura das organizações.

Imagens: Vítor Gordo/Syncview

Identificar padrões de risco em vez de procurar culpados

No decorrer do encontro, os participantes debateram a contribuição da tecnologia, da análise de dados e dos procedimentos internos para a melhoria da segurança operacional.

As empresas podem utilizar os dados recolhidos através de sistemas de gestão de frotas e de telemática para identificar comportamentos de risco e reconhecer tendências. Desta forma, conseguem desenvolver medidas preventivas mais adequadas à realidade de cada operação.

”Pedro Correia, da DPD Portugal, sintetizou esta abordagem: “o nosso objetivo não é procurar culpados, mas sim identificar padrões que possam ser corrigidos. Não podemos eliminar a exposição, mas podemos reduzir a probabilidade, a gravidade e o impacto operacional resultante

Esta perspetiva coloca a prevenção acima da reação ao acidente. Em vez de limitarem a sua intervenção à identificação de responsabilidades após uma ocorrência, as organizações podem analisar fatores recorrentes, corrigir procedimentos e agir antes que os riscos se traduzam em consequências mais graves.

No entanto, a eficácia destas medidas depende do envolvimento das chefias, da formação contínua e da confiança dos trabalhadores nos processos de identificação e comunicação de riscos.

Partilha de experiências e reconhecimento de boas práticas

O programa Horizonte Seguro 2026 incluiu intervenções técnicas, painéis de debate e partilha de experiências entre organizações com realidades operacionais distintas.

Estiveram presentes representantes dos CTT, da DPD Portugal, da Rodoviária de Lisboa, da Cascais Próxima e da JJTOMÉ, que partilharam as suas perspetivas sobre a gestão de riscos rodoviários.

O evento contou ainda com a participação de especialistas e representantes de instituições de ensino superior, assim como entidades públicas e organizações dedicadas à mobilidade e à prevenção rodoviária.

A participação da Associação Salvador trouxe ao debate a dimensão humana das consequências da sinistralidade rodoviária, reforçando a importância de uma abordagem que não se limite aos indicadores operacionais.

A cerimónia de entrega dos primeiros prémios Horizonte Seguro 2025 distinguiu organizações e profissionais pelo seu contributo para a promoção da segurança rodoviária. A iniciativa valoriza igualmente práticas de gestão que vão para além da simples redução da sinistralidade. Entre os critérios de avaliação, destacaram-se a definição de políticas internas, o envolvimento dos trabalhadores e a capacidade de melhoria contínua.

Entidades distinguidas:

  • CTT (Prémio Excelência na Gestão de Frotas 2025 e Prémio Frota de Segurança Rodoviária 2025/Mercadorias e Logística/Grande Frota);
  • TAJ – Transportes Arménio João (Prémio Frota de Segurança Rodoviária 2025/Mercadorias e Logística/Pequena Frota);
  • Companhia Carris de Ferro Lisboa (Prémio Frota de Segurança Rodoviária 2025/Transporte de Passageiros/Grandes Frotas);
  • Driveway Transfers (Prémio Frota de Segurança Rodoviária 2025/Transporte de Passageiros/Pequenas Frotas);
  • Ascendi (Prémio Frota de Segurança Rodoviária 2025/Empresas e Serviços/Grandes Frotas);
  • Egis Road Operation Portugal (Prémio Frota de Segurança Rodoviária 2025/Empresas e Serviços/Médias Frotas);
  • JSA Revestimentos (Prémio Frota de Segurança Rodoviária 2025/Empresas e Serviços/Pequenas Frotas)

A estes galardões juntaram-se três prémios atribuídos a título individual:

  • Paulo Afonso, Companhia Carris de Ferro Lisboa, categoria Transporte de Passageiros;
  • José António Coelho, CTT, categoria Transporte de Mercadorias;
  • Célio Pereira, Ascendi, categoria Empresas e Serviços.

 

Autor

  • Radar Automóvel

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