Segurança Rodoviária nas empresas: ações avulsas não chegam

segurança rodoviária nas empresas

A propósito do artigo publicado no “Radar Automóvel” em 9 de junho (e agradeço a referência ao trabalho que desenvolvemos na SEGEF), aproveito para reforçar as ideias desse artigo.

A segurança rodoviária nas empresas começa, felizmente, a ganhar mais atenção.

Fala-se mais de formação, campanhas, telemetria, tecnologia, prémios seguros e sensibilização dos condutores.

Tudo isto é positivo.

Mas, é importante afirmar com clareza: ações avulsas não chegam.

  • Uma campanha pode sensibilizar;
  • Uma formação pode corrigir comportamentos;
  • A telemetria pode gerar dados;
  • Um prémio pode reconhecer boas práticas.

Mas nenhuma destas medidas, isoladamente, garante uma redução consistente e sustentada da sinistralidade.

Nas empresas com frotas, a segurança rodoviária deve ser tratada como uma verdadeira função de gestão.

O risco rodoviário nasce muitas vezes dentro da empresa

Durante muito tempo, a segurança rodoviária foi vista quase apenas como uma responsabilidade do condutor.

Porém, o comportamento de quem conduz é influenciado por muitos fatores internos: horários, rotas, pressão operacional, objetivos de produtividade, manutenção dos veículos, cultura da empresa, chefias, formação, regras internas e acompanhamento.

Por isso, a pergunta não pode ser apenas: “O que fez o condutor?”.

A pergunta deve ser, também: “Que sistema criou a empresa para prevenir este risco?”.

Segurança rodoviária é gestão

A metodologia desenvolvida pela SEGEF FROTAS parte desta ideia simples: a segurança rodoviária nas frotas deve ser organizada, acompanhada e melhorada como qualquer outra função empresarial.

Isto exige compromisso da gestão de topo, diagnóstico, objetivos, plano de ação, responsabilidades claras, indicadores, formação, tecnologia, envolvimento das chefias, acompanhamento dos condutores e melhoria contínua.

  • Não basta instalar tecnologia se ninguém analisa os dados;
  • Não basta dar formação se a operação continua a criar pressão incompatível com uma condução segura;
  • Não basta fazer campanhas se não houver continuidade;
  • Não basta reagir aos acidentes se não existir prevenção estruturada.

A segurança rodoviária não se resolve com uma ação. Gere-se com método.

Tecnologia e formação só funcionam dentro de um programa

A Telemetria é uma ferramenta essencial.

Permite identificar comportamentos de risco, acompanhar indicadores e atuar antes que os acidentes aconteçam.

Mas, a Tecnologia não substitui a Liderança.

Da mesma forma, a formação é indispensável. Porém, deve ser ajustada aos riscos reais da frota, aos tipos de veículos, às operações e aos dados de sinistralidade.

Formar condutores é importante. Contudo, também é necessário formar e envolver gestores, responsáveis operacionais e chefias diretas. Porque muitas decisões que influenciam o risco rodoviário são tomadas por quem não conduz.

A segurança rodoviária deve entrar nos indicadores da empresa

Se uma empresa tem uma frota relevante, deve acompanhar a segurança rodoviária com o mesmo rigor com que acompanha custos, produtividade, qualidade ou sustentabilidade.

  • Quantos acidentes existem?
  • Onde acontecem?
  • Com que veículos?
  • Com que condutores?
  • Com que causas prováveis?
  • Com que custos?
  • Que medidas estão a funcionar?
  • Que riscos continuam por controlar?

Aquilo que não se mede dificilmente se gere.

E aquilo que não entra na gestão, dificilmente se torna prioridade.

Não há sustentabilidade sem segurança

A segurança rodoviária deve também fazer parte da sustentabilidade das empresas.

Uma organização que coloca diariamente veículos na estrada tem impacto direto nos seus trabalhadores, clientes, fornecedores e na comunidade.

  • Reduzir acidentes é proteger pessoas;
  • Reduzir acidentes é reduzir custos;
  • Reduzir acidentes é melhorar a eficiência;
  • Reduzir acidentes é reforçar a reputação;
  • Reduzir acidentes é assumir responsabilidade social.

Não há mobilidade sustentável se ela não for segura.

O grande desafio

O verdadeiro desafio não é fazer mais uma ação de segurança rodoviária (que têm mérito, mas não chegam!).

O desafio é construir empresas onde a segurança rodoviária faça parte da cultura da gestão e da operação diária.

As ações avulsas são úteis. Mas só produzem resultados duradouros quando fazem parte de um programa estruturado, suportado pela gestão de topo, e acompanhado com método.

Porque, no fim, cada acidente evitado representa muito mais do que uma redução de custos.

Representa uma pessoa que regressa a casa!

O papel das empresas na redução da sinistralidade rodoviária

O Horizonte Seguro e o Prémio de Segurança Rodoviária

O Horizonte Seguro é um projeto estratégico e uma plataforma de mobilização em Portugal dedicada à segurança rodoviária nas frotas corporativas.

Resultante de uma parceria entre a SEGEF Frotas (especialista em gestão e formação de frotas) e a Cartrack Portugal (líder em tecnologia de  telemática), o projeto nasceu para transformar a forma como as empresas lidam com o risco
rodoviário.

A Nossa Missão

Este é um desafio que a SEGEF (e o nosso parceiro CARTRACK Portugal) lançam a todas as empresas em Portugal.

Tudo o que estiverem a fazer sobre segurança rodoviária merece destaque. E, por isso, convidamos todas as empresas a apresentar a candidatura no site do Horizonte Seguro!

Queremos ver o vosso trabalho no grande encontro que estamos a preparar para o dia 20 de outubro em Alcobaça.

É com muito prazer que convido todos os concorrentes a participar igualmente nesse evento, importante para a Segurança Rodoviária e para a gestão das frotas em Portugal!

Autor

  • josé guilherme segef frotas

    José Guilherme é especialista em gestão de frotas, segurança rodoviária e mobilidade empresarial.

    Com uma longa experiência na gestão de uma das maiores frotas nacionais, desenvolveu projetos de referência nas áreas de eficiência operacional, prevenção rodoviária e sustentabilidade dos transportes.

    Atualmente, é fundador e diretor executivo da SEGEF Frotas, empresa de consultoria dedicada à gestão de frotas, segurança rodoviária e formação de gestores de frota, sendo uma voz reconhecida no setor da mobilidade corporativa em Portugal.

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