Em análise no Radar: Renault Rafale E-Tech 4×4 300 cv plug-in hybrid esprit Alpine

Renault Rafale 4x4 PHEV

Há carros que são feitos de acordo com um conjunto de especificações. E depois há outros que parecem ter sido desenhados para baralhar esse mesmo caderno. Desta vez foi posto à prova o novo Renault Rafale 4×4 que, claramente, pertence ao segundo grupo.

À primeira vista, parece mais um SUV coupé, mas isso já não impressiona ninguém. Mas quando começamos a desmontar o conjunto, percebemos que há aqui uma tentativa séria de fazer de forma diferente.

Não é uma mudança radical, mas é o suficiente para fazer com que as pessoas prestem mais atenção.

O Renault Rafale não tenta chegar a um consenso. Não é o mais espaçoso, confortável ou eficiente. Porém, é um dos mais interessantes. E isso pode ser uma boa razão para quem não procura o óbvio, num segmento com cada vez mais opções corretas e previsíveis.

Sistema híbrido: potência entregue de forma diferente

Vamos começar pelo óbvio: 300 cv num carro híbrido plug-in com ambições familiares não é propriamente uma novidade. O que já não é tão comum é a forma como essa potência é entregue.

Um motor 1.2 de três cilindros trabalha, de forma combinada, com três motores elétricos. Assim, não só se garante uma elevada potência conjunta, como também a tração integral.

Sem eixo de transmissão nem soluções mecânicas tradicionais. Tudo é feito eletronicamente, quase como se o carro estivesse sempre a tomar decisões em tempo real.

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Uma agilidade inesperada

renault rafale PHEV 4ControlDepois, há o chassis e a forma como a carroçaria se liga ao resto do carro.

O sistema de quatro rodas direcionais (4Control) não é só uma sigla: sente‑se. A sua arte evidencia-se quando se entra numa rotunda com mais entusiasmo do que é recomendável, quando se atacam curvas que um SUV deste tamanho deveria protestar e, sobretudo, quando se tenta estacionar num lugar apertado e o carro parece encolher.

Curiosamente, é neste último cenário que o Rafale mais surpreende: tudo nele sugere dimensão, presença, até algum excesso, mas ao volante parece um carro mais pequeno.

Já em andamento mais sério, o equilíbrio é interessante. Não é um carro leve, nem tenta disfarçar isso, mas esconde bem o peso.

A carroçaria está sob controlo, o rolamento é reduzido e a direção, apesar de não ser muito comunicativa, é precisa o suficiente para inspirar confiança. É óbvio que foi pensado para quem gosta de conduzir, mesmo que não admita isso numa reunião de frota.

Dupla personalidade

renault rafale PHEV tablierMas o Renault Rafale PHEV não se destaca só por este aspeto. Pelo contrário, talvez o seu maior trunfo esteja na facilidade com que muda de personalidade.

Num momento, está pronto para um ritmo mais rápido; no seguinte, transforma-se num meio de transporte confortável, silencioso e, quando a bateria ajuda, surpreendentemente eficiente.

A promessa de mais de 100 km em modo elétrico existe, mas convém tratá-la como aquilo que é: um cenário ideal. Na vida real, com trânsito, pressa e alguma tentação de explorar os 300 cv, os valores descem para números mais terrenos. Mesmo assim, são suficientes para cobrir grande parte das deslocações diárias sem usar o motor térmico.

E é aqui que o carro começa a ser uma boa opção para as empresas: não tanto pelas suas promessas, mas pelo que realmente oferece, quando utilizado de forma responsável.

Experiência digital e habitabilidade

Por dentro, o ambiente é semelhante ao resto do carro, com uma clara tentativa de subir um patamar.

A quantidade de comandos atrás do volante pode exigir alguma habituação por parte do condutor. No entanto, os materiais são bons, a construção é sólida e o sistema multimédia, que integra o Google, é um daqueles raros casos em que a tecnologia não complica. Funciona, responde, percebe-se.

Hoje em dia, isso já é um elogio.

A linha do tejadilho mantém a silhueta típica dos carros desta categoria, mais baixa e inclinada, mas sem afetar a sua utilização diária: o acesso é fácil e o espaço a bordo continua suficiente.

Nem tudo é perfeito. A visibilidade traseira é limitada e, embora as jantes de grande dimensão melhorem a imagem e o comportamento, não contribuem para que  o Renault Rafale PHEV fique mais confortável em pisos degradados. E, quando o motor térmico tem de aumentar as rotações, isso nota-se muito no interior.

Mas talvez isso faça parte do caráter do carro. O Renault Rafale PHEV não tenta chegar a um consenso. Não é o mais espaçoso, confortável ou eficiente em todos os cenários.

Porém, é um dos mais interessantes. E isso pode ser uma boa razão para quem não procura o óbvio, num segmento com cada vez mais opções corretas e previsíveis.

Ficha Técnica do Renault Rafale E-Tech 4x4 300 cv plug-in hybrid esprit Alpine

Motor a gasolina1.2 turbo, 3 cilindros: 150 cv / 205 Nm (143 cv/215 Nm)
Motor elétricoTrês motores com capacidade de 160 kW / ~450 Nm (estimado sistema elétrico)
Potência combinada300 cv (221 kW)
Binário máximo~700 Nm (combinado, valor estimado de sistema)
TransmissãoAutomática multimodo (sem embraiagem convencional)
BateriaIões de lítio, 22 kWh / ~400 V
CarregamentoAC: 7,4 kW (cerca de 3 horas para 0–100%)
DC: (não disponível)
Autonomia elétrica WLTPAté 105 km
Aceleração 0–100 km/h6,4 segundos
Velocidade máxima180 km/h
Consumo combinado WLTPa partir de 0,5/0,7 l/100 km
Consumo total de energia elétrica (WLTP)cerca de 16–18 kWh/100 km
Emissões CO₂ WLTPa partir de 12–15 g/km
Bagageira~530 a ~1.600 L (com bancos rebatidos)
Dimensões (C × L × A, largura com espelhos)4.710 × 1.886 × 1.613 mm (≈2.080 mm com espelhos)
Distância entre eixos2.738 mm
Peso em vazio~2.000–2.100 kg

Autor

  • Armando Rodrigues é do Porto e vive o setor automóvel com a exigência e o rigor típicos de um nortenho de gema.

    Com quase 50 anos de carreira, iniciou o percurso como mecânico e construiu uma trajetória sólida em marcas como Peugeot, Alfa Romeo, Mercedes-Benz e Porsche, onde assumiu funções de liderança e direção.

    Atualmente é responsável pela gestão da frota do Futebol Clube do Porto, função que representa o culminar de uma carreira marcada pela consistência, responsabilidade e compromisso com a excelência.

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