Depois de mais de uma década a gerir frotas, por defeito profissional habituei-me a encarar cada viatura não apenas como mais uma marca ou modelo, mas pelo seu potencial em TCO, fiabilidade, satisfação dos condutores e, claro, enquadramento fiscal.
Atualmente, tenho a meu cargo uma frota mista superior a 350 veículos numa empresa internacional e, recentemente, foi-me dada a oportunidade de passar alguns dias com o Omoda 9 híbrido plug-in.
Desde já digo que é uma viatura que colocaria sem problema na frota. Primeiro, porque a autonomia elétrica até 145 km me conquistou já que é mais do que um utilizador típico deste escalão utiliza na maioria dos seus trajetos diários, porque tem mais de 530 cv de potência e tração integral e porque a combinação das duas soluções de motor dão ao Omoda 9 uma autonomia total superior a 1.100 km.
E tudo isso a partir de um preço inicial competitivo, bem abaixo de modelos premium equivalentes. Um número que, para quem gere custos e rendas de renting, faz toda a diferença.
Conforto, espaço e ergonomia
A posição de condução é excelente, quase perfeita. Todos os comandos estão à mão, e apesar de não serem os mais intuitivos, cumprem perfeitamente com o que precisamos.
O espaço interior é generoso: tanto os lugares dianteiros como traseiros oferecem conforto para qualquer tipo de deslocação, e a bagageira adapta-se facilmente às necessidades do dia a dia.
Também me surpreende pela qualidade dos materiais e acabamentos. Os bancos em couro são ajustáveis eletricamente, com múltiplas regulações, aquecimento, ventilação e até massagem nos lugares da frente. O habitáculo conta com duas telas digitais curvas, sistema de som Sony, head-up display e um teto de abrir panorâmico que percorre praticamente todo o habitáculo.
Por fim, a insonorização é impressionante. Mesmo em auto-estrada, o habitáculo mantém-se silencioso, sem ruídos de vento.
Consumos e desempenho do Omoda 9 SHS
O Omoda 9 híbrido plug-in tem mais de 530 cv e cerca de 650 Nm de binário a trabalhar em conjunto, distribuídos entre dois motores elétricos no eixo dianteiro, um no eixo traseiro, e o motor 1,5 L turbo a gasolina.
O resultado é ter tração integral permanente e uma aceleração imediata sempre que se pisa o acelerador.
A caixa híbrida DHT gere os motores, alternando entre motor elétrico, motor a combustão ou ambos, e permitindo diferentes modos de condução, seja para poupar combustível, ter a máxima potência ou simplesmente um passeio confortável. É um sistema que cumpre sem dramas, mesmo para quem gosta de ter tudo “à mão” na condução do dia-a-dia.
A bateria de 34,5 kWh anuncia até 145 km em modo 100 % elétrico. Como já disse, suficiente para a maior parte das deslocações urbanas. E se precisarmos de recarregar rápido, temos carregamento rápido (DC) até 65 kW, enquanto o carregamento em corrente alternada (AC) chega a 6,6 kW; chega para os utilizadores atestarem a bateria durante um dia normal de trabalho.
Em termos de consumos e autonomia, os valores reais não fogem ao que é anunciado pela marca. Numa condução moderada, em modo híbrido e com o programa Eco ativo, é possível alcançar médias entre os 5 e os 6,5 litros. Já quando o condutor decide tirar partido da potência disponível e seleciona o modo Sport, os consumos sobem facilmente para lá dos 8 litros. O mesmo se verifica na autonomia: com um ritmo pouco exigente, não será difícil aproximar-se dos 145 km homologados para esta versão.
Os consumos são muito bons, na linha dos anunciados: cerca de 1,5 L/100 km no ciclo combinado WLTP quando se usa o elétrico regularmente, com emissões de CO₂ abaixo de 40 g/km. E a autonomia total, combinando motor elétrico e combustão, supera 1.100 km, o que é notável para um SUV deste tamanho e potência.
Na estrada, o Omoda 9 PHEV cumpre exatamente o que promete: potente, silencioso, eficiente e estável. Seja em cidade ou na auto-estrada, não há surpresas nos consumos nem na autonomia. A sensação é de que o carro está sempre pronto a responder, sem stress nem complicações.
Quanto à capacidade de manobra, também surpreendeu: para o tamanho que tem, consegue ser ágil em curva, manobra-se bem em cidade e no estacionamento.
Em termos de segurança, não há compromissos: 19 sistemas avançados de assistência à condução valeram-lhe 5 estrelas Euro NCAP em 2025. Com um detalhe que achei interessante: o carro só anda quando o cinto do condutor está colocado.

Pontos a considerar
Como gestor de frota, não consigo olhar apenas para o que me agradou. E são alguns, comuns a marcas novas que estão a chegar ao mercado europeu: a assistência técnica ainda não tem histórico sólido em Portugal, podendo haver demoras na chegada de peças; o histórico de avarias é limitado, e a juventude da marca pode afetar os valores residuais e, consequentemente, o TCO ou o valor das rendas em renting.
Apesar dessas reservas, o Omoda 9 PHEV cumpre em autonomia, conforto, espaço, segurança e preço. Para quem gere frota, é uma aposta a considerar, especialmente nas empresas que procuram eficiência e não descartam a experiência do condutor. Entre os SUV híbridos plug-in, destaca-se claramente, oferecendo tecnologia de ponta sem o preço premium que normalmente acompanha este tipo de desempenho.
Em Portugal, a Omoda é representada oficialmente pelo Grupo JAP desde 2025, e partilha plataformas e mecânica com outra marca do grupo Chery Auto, a Jaecoo, que também é distribuída pelo mesmo grupo. Essa proximidade tecnológica reforça a confiança na fiabilidade e na manutenção futura, apesar da juventude da marca.
O Omoda 9 SHS recorre à tecnologia NFC para permitir o acesso e o arranque do veículo sem chave física. Basta aproximar um smartphone compatível ou um cartão NFC do leitor integrado na porta para destrancar o automóvel, sendo depois possível ligar o carro sem necessidade da chave tradicional.
| Motor a gasolina | 1.5 TGDI turbo, 4 cilindros, 16 V, DOHC (143 cv/215 Nm) |
|---|---|
| Motor elétrico | Três motores com capacidade combinada de cerca de 340 kW/ 700 Nm |
| Potência combinada | 537 cv (395 kW) |
| Binário máximo | 650 Nm/4000 rpm (combinado) |
| Transmissão | Automática de tipo 3-DHT (Dedicated Hybrid Transmission) com tração integral (AWD). |
| Bateria | Iões de lítio, 34,46 kWh/322 V |
| Carregamento | AC: 6,6 kW (5,5 horas para carga de 0% a 100%); DC: 65 kW (de 10 a 80% em cerca de 30 minutos) |
| Autonomia elétrica WLTP | Até 145 km |
| Aceleração 0–100 km/h | 4,9 segundos |
| Velocidade máxima | 180 km/h |
| Consumo combinado WLTP | a partir de 1,7 l/100 km |
| Consumo total de energia elétrica (WLTP) | cerca de 23 kWh/100 km |
| Emissões CO₂ WLTP | a partir de 35 g/km |
| Bagageira | 471 a 1.004 L (com bancos rebatidos) |
| Dimensões (C × L × A, largura com espelhos) | 4.775 × 1.920 × 1.671 mm |
| Distância entre eixos | 2.800 mm |
| Peso em vazio | 2.270 kg |















O Omoda 9 SHS recorre à tecnologia NFC para permitir o acesso e o arranque do veículo sem chave física. Basta aproximar um smartphone compatível ou um cartão NFC do leitor integrado na porta para destrancar o automóvel, sendo depois possível ligar o carro sem necessidade da chave tradicional.













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