A mobilidade elétrica está a acelerar em Portugal. O Barómetro ACP 2026 revela que 9% dos condutores possuem veículos eletrificados (BEV + PHEV), quase o triplo dos 3,5% registados em 2025. Esta estimativa é baseada numa amostra aleatória de um inquérito realizado a 1.200 condutores portugueses com carta.
Os dados apontam para uma mudança crescente nas decisões de compra dos automobilistas, impulsionada por preocupações ambientais, custos de utilização mais baixos e pela evolução tecnológica dos veículos elétricos.
Estas são as principais conclusões do estudo, que pode ler na integra no final do texto.
Parque automóvel começa a renovar-se
O estudo revela também sinais de renovação gradual do parque automóvel nacional. Atualmente, 38% dos automóveis em circulação têm mais de 15 anos, menos 5% do que no ano anterior.
Nas motorizações, os veículos a gasolina voltam a ganhar terreno, enquanto os automóveis a diesel continuam a perder expressão.
Refletindo a transformação em curso no setor automóvel, no parque automóvel:
- Os elétricos BEV atingem 6% (+3%);
- Com motor a gasolina sobe para 42% (+11%);
- Com motor diesel cai para 43% (-18%).
Intenção de compra cresce significativamente
A intenção de substituir o automóvel aumentou de forma expressiva: 49% admitem trocar de carro de 1 a 5 anos (+25%).
Entre as opções consideradas, os veículos eletrificados já representam cerca de metade das preferências, sendo que 55% dos condutores dizem ser provável optar por um elétrico na próxima compra.
Como fatores que impulsionam o interesse pelos elétricos destacam-se os custos de utilização mais baixos e a expectativa de evolução tecnológica.
Preço e autonomia continuam a ser obstáculos
Apesar do crescimento, persistem alguns desafios à adoção em larga escala.
Preço elevado, autonomia limitada, carregamento lento e falta de oficinas especializadas continuam os maiores obstáculos: 37% consideram provável BEV usado (+19%), atraídos pelo preço acessível
Mercado de elétricos usados começa a ganhar espaço
O estudo indica também uma maior abertura ao mercado de veículos elétricos usados. Atualmente, 37% dos condutores consideram provável comprar um elétrico em segunda mão, mais 19% do que no ano passado.
O preço mais acessível surge como o principal fator de interesse, embora persistam reservas relacionadas com a durabilidade das baterias e o valor de revenda.
Carregamento em casa predomina
A maioria dos proprietários de veículos elétricos, 86% dos proprietários, carregam em casa (média €7/mês), enquanto 91% usam postos públicos (€50/mês).
Ainda assim, a infraestrutura de carregamento continua a apresentar desigualdades regionais; Alentejo e zonas rurais enfrentam maiores dificuldades infraestruturais.
Um possível ponto de viragem
No conjunto, os dados indicam que 2026 poderá marcar um ponto de viragem na mobilidade elétrica em Portugal.
Os consumidores estão hoje mais informados e mais disponíveis para considerar veículos eletrificados, embora fatores como preço, autonomia e expansão da rede de carregamento continuem a ser determinantes para acelerar a adoção em larga escala.

Este documento contém uma análise detalhada da evolução da mobilidade elétrica em Portugal, incluindo:
- Perfil do parque automóvel e Intenções de compra;
- Percepções relativas à utilização de um veículo elétrico (autonomia, vida útil da bateria…);
- Infraestrutura (condições de carregamento, nomeadamente doméstico);
- Utilização de apps
- Principais desafios.
Ficha Técnica (resumida):Estudo com 1.608 condutores totais (1.200 representativos + 408 reforço), onde 9% da amostra base possuem veículos eletrificados. Amostra representativa por género, idade e região, incluindo 516 proprietários de veículos elétricos. Erro amostral total ±2,49%.












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