A eletrificação das frotas automóveis das empresas não deve depender apenas das decisões das empresas. A experiência dos condutores deve ser encarada como um fator decisivo para o sucesso da transição. Quem está no terreno sabe bem a importância da aceitação de um determinado modelo automóvel por parte do seu utilizador.
No caso dos veículos comerciais ou de frotas técnicas, isso é ainda mais importante: uma escolha desadequada pode colocar em causa as operações e, com isso, a qualidade do serviço da organização.
Por essa razão, o Car Policy Benchmark 2025, estudo da Ayvens, incluiu pela primeira vez um inquérito a mais de 3 mil condutores de veículos de empresa.
Depois de analisarmos nos artigos anteriores a eletrificação das frotas e a evolução das políticas de gestão, exploramos agora o ponto de vista dos utilizadores.
Eletrificação das frotas empresariais acelera em Portugal, revela estudo da Ayvens
Cada vez mais condutores utilizam veículos eletrificados
Segundo o estudo, 38% dos condutores já conduzem veículos eletrificados, face a apenas 17% em 2022.
Entre estes veículos:
- 25% são 100% elétricos;
- 13% são híbridos plug-in.
Apesar deste crescimento, os veículos com motor de combustão continuam a representar a maioria da frota.
Distâncias diárias compatíveis com veículos elétricos

Um dos resultados mais interessantes do estudo diz respeito aos padrões de utilização.
Em média, os condutores percorrem menos de 28 mil quilómetros por ano.
No dia-a-dia:
- 62% percorrem menos de 50 km por dia;
- 80% percorrem até 100 km por dia.
Quando se analisam viagens longas, verifica-se que:
- 45% fazem menos de uma viagem superior a 250 km por mês;
- 85% fazem no máximo uma ou duas viagens desse tipo por mês.
Estes dados indicam que, do ponto de vista operacional, muitos condutores já têm padrões de utilização compatíveis com veículos elétricos.
Barreiras ainda identificadas pelos condutores

Apesar disso, alguns fatores continuam a ser vistos como obstáculos à transição.
Os principais são:
- Autonomia dos veículos elétricos;
- Insuficiência da rede pública de carregamento;
- Necessidade de maior planeamento de viagens longas;
- Investimento inicial mais elevado.
Estas percepções refletem muitas vezes preocupações associadas à mudança de tecnologia e à adaptação a novos hábitos de utilização.
O papel do carregamento em casa

O estudo revela também que 73% dos condutores vivem em habitações com garagem ou estacionamento dedicado.
Além disso, 59% dizem estar disponíveis para instalar um carregador doméstico caso a empresa suporte os custos.
O carregamento em casa é considerado um fator importante para facilitar a adoção da mobilidade elétrica e reduzir os custos de utilização.
Um potencial de eletrificação ainda maior

Talvez a conclusão mais interessante seja o potencial de crescimento da mobilidade elétrica nas frotas automóveis de empresas.
Segundo o estudo:
- 50% dos condutores poderiam já utilizar veículos 100% elétricos;
- 25% poderiam optar por híbridos plug-in.
Isto significa que existe um potencial adicional de eletrificação próximo dos 40%, caso as empresas avancem com políticas e incentivos adequados.
Mercado Automóvel Portugal 2025: Distribuição por canal de venda (II)
O que este estudo revela sobre a evolução das frotas automóveis das empresas
Os dados do Car Policy Benchmark 2025 mostram que a transição para a mobilidade elétrica nas frotas corporativas já está em curso, mas também revelam que persistem desafios operacionais, tecnológicos e até culturais que ainda precisam de ser ultrapassados.
Num contexto de rápida transformação – marcado pela evolução tecnológica, pelas metas ambientais e pelas mudanças regulatórias – a forma como as empresas gerem as suas frotas continuará a evoluir nos próximos anos.
É precisamente neste ponto que estudos como este assumem particular relevância para os gestores de frota. Ao reunir informação de centenas de empresas e milhares de veículos, este benchmark permite contextualizar decisões, comparar práticas e identificar tendências que ajudam a antecipar a evolução da mobilidade empresarial.
Apesar de ser promovido pela Ayvens, uma parte interessada no negócio da gestão de frotas, o facto de se tratar de um dos principais operadores do setor em Portugal permite que o estudo beneficie da dimensão da sua base de clientes e do volume de dados operacionais analisados.
Isso contribui para construir um retrato abrangente do mercado e perceber de que forma as empresas estão a adaptar as suas políticas de mobilidade a um setor que está em rápida transformação.
O Radar Automóvel espera que esta síntese dos principais pontos analisados neste benchmark possa ser útil para os decisores das empresas na reflexão sobre a evolução das suas políticas de mobilidade.












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