A transmissão híbrida DHT (Dedicated Hybrid Transmission) é uma das soluções técnicas mais utilizadas nos veículos híbridos modernos.
Desenvolvida especificamente para trabalhar em conjunto com motores elétricos e motores de combustão interna, distingue-se das caixas automáticas tradicionais e das transmissões CVT, oferecendo uma gestão mais eficiente da energia e maior suavidade de funcionamento.
Associada a arquiteturas do tipo power-split ou série/paralelo, a transmissão DHT permite que o veículo alterne automaticamente entre diferentes modos de funcionamento, consoante as condições de condução, sem necessidade de intervenção do condutor.
O que significa DHT (Dedicated Hybrid Transmission)?
A sigla DHT refere-se a uma transmissão criada de raiz para aplicações híbridas. Ao contrário das caixas automáticas convencionais, não depende de um conjunto clássico de relações fixas de engrenagens e não funciona como uma CVT tradicional.
O seu principal objetivo é gerir os fluxos de energia entre o motor térmico, os motores elétricos e as rodas da forma mais eficiente possível.
Na prática, a transmissão DHT permite:
- Circulação em modo totalmente elétrico a baixas velocidades;
- Funcionamento em modo híbrido em série, com o motor térmico a gerar eletricidade;
- Funcionamento em modo híbrido em paralelo, com motor térmico e elétrico a contribuírem para a tração.
Como funciona uma transmissão híbrida DHT
No interior de uma transmissão DHT trabalham normalmente dois motores elétricos, cada um com funções distintas.
Um dos motores é responsável pela tração ou apoio direto à aceleração, enquanto o segundo actua como gerador, assegurando o arranque do motor térmico e a recuperação de energia durante desacelerações e travagens.
A gestão destes componentes é feita por um sistema eletrónico de controlo, que decide em tempo real qual a fonte de energia mais adequada, tendo em conta a velocidade, a carga da bateria e as solicitações do condutor.
O resultado – pretendido e obtido – é uma condução mais suave, silenciosa e eficiente, sobretudo em ambiente urbano.
O KGM Actyon HEV é exemplo ao estrear a transmissão DHT integrada com o motor a gasolina 1.5 turbo, mostrando como uma unidade conhecida pode evoluir para um sistema híbrido mais eficiente
Quem desenvolve e fornece transmissões híbridas DHT
Vários construtores automóveis recorrem a fornecedores especializados para integrar transmissões híbridas DHT nos seus modelos.
Um dos exemplos mais conhecidos é a Acteco, empresa de sistemas de propulsão automóvel do grupo chinês Chery, que desenvolve módulos DHT com dupla motorização elétrica, concebidos para serem adaptados a diferentes motores a gasolina.
Além da Acteco, existem outros fornecedores relevantes neste domínio, como:
- Aisin (grupo Toyota);
- ZF Friedrichshafen;
- Magna Powertrain;
- JATCO.
Estes fornecedores disponibilizam módulos de transmissão híbrida que os construtores integram, adaptam e calibram de acordo com as características dos seus motores e plataformas.
Uma transmissão não é um sistema híbrido completo!
Importa sublinhar que uma transmissão DHT, por si só, não constitui um sistema híbrido completo.
Para que a locomoção híbrida funcione de forma eficaz, são necessários vários componentes adicionais, entre os quais:
- Bateria de alta tensão, para armazenamento de energia;
- Sistema electrónico de gestão de energia;
- Inversores, conversores e unidades de controlo;
- Software de calibração, que define o comportamento do sistema.
É precisamente nesta integração, sobretudo ao nível do software e da eletrónica, que os construtores se diferenciam, mesmo quando utilizam transmissões semelhantes.
As transmissões híbridas não funcionam todas da mesma forma
Apesar de muitas soluções serem designadas como DHT, nem todas funcionam da mesma maneira.
Algumas privilegiam uma maior utilização em modo elétrico, outras apostam numa lógica mais próxima do híbrido em paralelo, e há ainda sistemas que recorrem a engrenagens adicionais ou a arquiteturas mistas.
Por isso, embora a transmissão híbrida DHT seja um elemento central, o desempenho, os consumos e a experiência de condução dependem sempre do conjunto do sistema híbrido e da forma como cada construtor o desenvolve e calibra.

















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