Mercado Automóvel Portugal 2025: Distribuição por canal de venda

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As frotas empresariais e a atividade de rent-a-car (RAC) continuam a desempenhar um papel determinante na dinâmica do mercado.

Tradicionalmente – muito por responsabilidade da política fiscal automóvel, da estrutura do tecido económico nacional (fortemente assente em PME – Pequenas e Médias Empresas) e do modelo salarial praticado em Portugal – o canal corporate assume-se como o principal responsável pela emissão de novas matrículas no país.

No caso específico do rent-a-car, apesar de o número de automóveis ligeiros de passageiros matriculados por estas empresas ter registado uma descida de 4,2% em 2025, fixando-se em 58.527 unidades, este canal continua a ter um peso muito significativo no mercado.

De facto, representa cerca de 26% das 225.039 unidades de ligeiros de passageiros novos matriculadas em 2025. Ou seja, aproximadamente um em cada quatro automóveis Ligeiros de Passageiros novos teve como destino operadores de rent-a-car

O reforço da atividade turística e o recurso crescente das empresas a soluções de aluguer de curta e média duração (seja no âmbito de assistências em viagem, imobilizações por avaria ou acidente, ou ainda para responder a necessidades temporárias de mobilidade) continuam a sustentar a importância estratégica deste canal.

Por isso, mesmo num contexto de ligeira contração anual, o rent-a-car continuou a ser um dos pilares estruturais da dinâmica do mercado automóvel nacional.

VLP por canal de venda portugal 2025 radar automóvelEste gráfico apresenta valores estimados por canal de compra, tendo em conta que entre os registos de particulares poderão estar incluídos Empresários em Nome Individual (ENI) sem NIF de pessoa coletiva. Estes resultados dependem também da forma como o representante de cada marca automóvel classifica as suas vendas entre o canal B2B e o particular.

Segundo dados da ACAP, em 2025 foram registados em Portugal 225.039 veículos, dos quais cerca de 78% terão tido como destino pequenas, médias e grandes empresas com frotas automóveis, incluindo empresas do setor de rent-a-car.

No entanto, e pelas razões que se explicam já a seguir, o gráfico deve ser lido como um exercício estatisticamente imperfeito, refletindo um mercado condicionado pela dependência de dados baseados em matrículas, pelo peso do renting, pelos incentivos fiscais, pela falta de transparência por canal e por práticas comerciais que tornam especialmente difícil segmentar com rigor as compras automóveis em Portugal.

Porque é tão difícil segmentar compras automóveis por canal em Portugal?

Em Portugal, distinguir as vendas automóveis por canal de compra (particulares, empresas, rent-a-car) é uma tarefa complexa, influenciada por fatores estatísticos, fiscais e estruturais do mercado.

Os dados oficiais divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), que estão a servir como base desta avaliação, baseiam-se em matrículas e não no tipo de utilizador final.

Já o registo no Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) identifica apenas o titular legal, o que não significa que esse seja o utilizador da viatura.

De facto, um automóvel pode estar matriculado em nome de uma empresa de renting ou de uma sociedade financeira e, ainda assim, ser utilizado diariamente por um particular ou por uma PME.

A título de curiosidade, a gestão das coimas associadas a estas viaturas é uma das tarefas mais complexas e delicadas que estas empresas têm de assegurar, dada a multiplicidade de condutores e contratos em vigor.

Renting e Leasing

A forte penetração do renting e do leasing operacional acentua esta distorção.

Operadores como a Ayvens, Leasys, Arval, Locarent ou Kinto matriculam milhares de veículos em nome próprio. Estatisticamente, essas viaturas surgem como vendas B2B, embora comercialmente possam corresponder a contratos individuais, pequenas empresas ou grandes frotas, esbatendo a fronteira entre cliente particular e empresarial.

Rent-a-Car

Também as empresas de rent-a-car contribuem para esta confusão estatística. Além da atividade tradicional de aluguer de curta duração, algumas fornecem serviços de gestão de frota e celebram contratos de renting automóvel com empresas. Estas viaturas acabam, contudo, por ser contabilizadas dentro do canal “rent-a-car”, ainda que, na prática, correspondam a operações de renting empresarial.

Um detalhe adicional complica este cenário: tanto grandes gestoras de frota como pequenas empresas de rent-a-car partilham o CAE 77110, o que torna ainda mais difícil diferenciar estatisticamente estas atividades.

Fiscalidade

A fiscalidade portuguesa adiciona outra camada de complexidade.

Muitos particulares com atividade aberta – empresários em nome individual, sociedades unipessoais ou profissionais liberais – optam por comprar o automóvel através da empresa para beneficiar de enquadramentos de IVA e de tributação autónoma.

Desta forma, uma matrícula empresarial pode, na prática, corresponder a um uso pessoal.

Ausência de estatística clara

Soma-se ainda a falta de transparência estatística.

Ao contrário de mercados como o britânico, em Portugal importadores e marcas não divulgam publicamente o mix detalhado por canal, tratando essa informação como estratégica. O acesso a dados segmentados depende, na maioria dos casos, de estudos privados ou estimativas de mercado.

Reexportações e cumprimento de objetivos comerciais

A tudo isto juntam-se fenómenos como as reexportações e os self-registrations.

Algumas viaturas são matriculadas apenas para cumprir objetivos comerciais ou metas internas, podendo depois ser reexportadas, usadas como demonstração ou vendidas como viaturas de “serviço”. Estas práticas fazem crescer o número de matrículas sem refletirem necessariamente vendas reais ao consumidor.

 

 

Autor

  • Radar automovel

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