Há quem diga que um carro de sete lugares é um exagero. Eu dizia o mesmo até conduzir o Mazda CX-80 Takumi Plus. Por uns dias, percebi que talvez fosse o único veículo capaz de me manter sã quando decido juntar os meus gémeos de quatro anos, os enteados do meu marido (com nove e treze anos) e ainda o próprio, que nunca viaja sem o portátil e um maço de processos jurídicos.
Desta vez, o plano era simples: escapar da cidade, respirar ar puro e passar dois dias num refúgio no Alentejo. O que não era simples era conseguir levar tanta gente e a tralha habitual. Mas o CX-80 mostrou desde logo que espaço e capacidade para tamanha missão não seriam um problema. E não foram.

Espaço para todos e mais algum
A bagageira, com os dois bancos suplementares rebatidos, parece ter tanto espaço quanto um pequeno carro comercial. E e os bancos da segunda fila, que correm 12 cm para a frente e para trás, deslizam com a elegância de uma gaveta japonesa; tão fácil, que até os adolescentes se apressaram a ocupar os lugares traseiros, numa corrida silenciosa para evitar ajudar a carregar o resto da bagagem.
A verdade é que a terceira fila, tantas vezes o patinho feio nos SUV de sete lugares, revelou-se surpreendentemente habitável. O Tomás, de nove anos, instalou-se lá atrás com o entusiasmo de quem descobre um forte secreto, e a Amélia, de treze, achou “cool” poder fazer a viagem longe dos adultos.
Se baixássemos todos os encostos, arrisco dizer que conseguiríamos dormir lá dentro. Ficam livres mais de dois metros de comprimento entre os bancos da frente e a porta da bagageira. O Mazda CX-80 é assim, generoso em espaço. Felizmente não houve necessidade de o confirmar; chegámos ao destino e, desta vez, a reserva estava feita como deve ser.
“Quando for grande e andar pelo mundo quero um carro assim”, disse a soft indie Amélia. E começou logo a fazer planos de como aproveitaria o interior do CX-80: “baixava estes bancos e punha a cama assim, atrás colocava um armário com uma cozinha pequena, aqui ao lado havia espaço para a Luna dormir”. A Luna é uma cadela que surge sempre que imagina como vão ser as suas andanças pelo mundo.
Silêncio, curvas e compostura
No caminho até ao monte rural, o silêncio foi precioso. Apenas as conversas infantis e o habitual “já chegámos?” quebravam a calma.
A direção precisa e o conforto da suspensão fizeram-me esquecer que conduzia um carro com quase cinco metros. Claro, a caixa automática de oito velocidades facilita e ajuda a uma condução mais relaxada. Mas, até mesmo nas curvas mais apertadas e nos caminhos estreitos e irregulares, o CX-80 manteve a compostura, como um dançarino grande mas leve nos passos.
Apesar do tamanho generoso, o Mazda CX-80 plug-in conduz-se com uma facilidade inesperada. Os 327 cv do sistema híbrido plug-in surpreenderam-me pela vivacidade, algo que não associava a um SUV com três filas de bancos. E os cerca de 60 km em modo elétrico parecem-me perfeitos para as voltas mais curtas do fim de semana.
Claro que, como em qualquer plug-in, tudo depende de carregar a bateria. Se não o fizermos com regularidade, o consumo de gasolina sobe depressa e pode passar facilmente dos 8 litros aos 100 km. Aprendi isso à minha custa.
À noite, já na casa rural, aproveitei para carregar a bateria ligando o adaptador a uma tomada normal. Porque usar o modo elétrico num híbrido plug-in não é só conveniente: é essencial para poupar gasolina e reduzir o esforço do motor.
Casa e escritório sobre rodas
O meu marido, claro, trouxe o trabalho atrás. Aproveitou as tomadas de 220 V na bagageira para ligar o portátil e carregar o telemóvel enquanto revia contratos. “Este carro é um escritório ambulante”, comentou ele. Eu prefiro vê-lo como uma pequena casa em movimento: confortável, bonito e incrivelmente prático.
Lá dentro, o ambiente é digno de um carro de luxo: pele Nappa, madeira verdadeira, tudo sólido e com cheiro a novo. À noite, a iluminação interior cria um ambiente quase zen, que ajudou os miúdos a adormecer rapidamente.
Tecnologia à moda da Mazda
Um aspeto pouco habitual é o funcionamento do ecrã central. Embora seja tátil, bloqueia em andamento; em vez disso, na consola central há um comando rotativo que permite controlar todas as funções. Uma filosofia da Mazda para evitar distrações que, para mim, acabou por fazer sentido.
O sistema de áudio da Mazda é excelente. Bastou escolher uma playlist apenas para os lugares da frente, deixando os gémeos dormir sossegados na fila do meio e evitando protestos dos adolescentes instalados lá atrás. Até o advogado acabou a cantarolar…
A verdadeira medida do luxo
As viagens de ida e regresso fizeram-se sem dramas, com energia suficiente para mais aventuras e sem aquela sensação de ter conduzido um camião. E, antes que me esqueça, um detalhe importante: nas portagens, apesar de ser Classe 2, o dispositivo Via Verde reconhece o modelo e permite passar como Classe 1.
No regresso, quando todos adormeceram de cansaço – menos a mais velha, como sempre alheada na paisagem – percebi que o verdadeiro luxo deste carro não está só nos materiais ou na potência, mas na tranquilidade que transmite.
Com isto, o Mazda CX-80 mostrou-me que há automóveis pensados para o caos familiar sem deixarem de ser sofisticados. E que, por vezes, o conforto não está só nos bancos aquecidos ou no som envolvente, mas na serenidade que se sente ao volante.
Mesmo quando a companhia inclui duas crianças irrequietas e dois adolescentes entediados, rumo a um sítio onde a internet ainda não chegou…
No fim, fiquei com uma certeza: há espaços que se tornam memórias, e este Mazda acabou por ser o cenário perfeito para mais uma das nossas.
Ficha Técnica do Mazda CX-80 2.5 e-Skyactiv PHEV AT8 AWD
| Motor a gasolina | 2.5 L, 4 cilindros, DOHC, 16 válvulas, 191 cv/6000 rpm - 261 Nm /4000 rpm |
|---|---|
| Motor elétrico | 175 cv (107 kW) – 270 Nm/400 rpm |
| Potência combinada | 327 cv (241 kW)/6000 rpm |
| Binário máximo | 500 Nm/4000 rpm (combinado) |
| Transmissão | Automática de 8 velocidades, tração integral (AWD) |
| Bateria | Iões de lítio, 17,8 kWh /355 V |
| Carregamento AC | Até 7,2 kW (3 a 5 horas para carga completa) |
| Autonomia elétrica WLTP | Até 60 km (cerca de 40–45 km reais) |
| Aceleração 0–100 km/h | 6,8 segundos |
| Velocidade máxima | 195 km/h |
| Consumo combinado WLTP | a partir de 1,6 l/100 km (com carregamentos regulares) |
| Consumo total de energia elétrica (WLTP) | 23,8 kWh/100 km |
| Emissões CO₂ WLTP | a partir de 35 g/km |
| Bagageira | 258 a 1.971 L (até ao tecto, com bancos rebatidos) |
| Dimensões (C × L × A, largura com espelhos) | 4.995 × 1.890 × 1.710 mm |
| Distância entre eixos | 3.120 mm |
| Peso em vazio | 2.248 kg |
























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