Os preços da gasolina e do gasóleo continuam a ser notícia, com oscilações frequentes e uma tendência geral de subida que se tem mantido ao longo das últimas semanas.
Para muitos condutores, abastecer passou a ser uma das principais despesas mensais, especialmente para quem depende do automóvel no dia a dia.
Neste âmbito, começa a ganhar maior destaque uma opção que há muito está presente no mercado, mas que nem sempre tem sido levada em consideração: o GPL (Gás de Petróleo Liquefeito).
GPL: um combustível que vai além do custo-benefício
Tradicionalmente associado a custos de utilização mais baixos, o GPL continua a destacar-se pelo fator que mais pesa na decisão dos condutores: o custo por quilómetro.
Embora o consumo seja ligeiramente superior ao da gasolina, o preço por litro é consideravelmente inferior, permitindo poupanças de 30% a 50%.
Mais do que o valor inscrito na bomba, é este custo real de utilização que deve levar os automobilistas a considerarem, ou não, o GPL como uma alternativa viável.
Um mercado que já tem peso em Portugal
O número de matrículas, anual e mensal, mostra que o GPL não é apenas uma proposta de nicho.
Em 2025, os automóveis ligeiros de passageiros bi-fuel (gasolina/GPL) representaram cerca de 9% do mercado nacional, o equivalente a mais de 20 mil unidades matriculadas.
A liderança neste tipo de motorização está claramente concentrada em duas marcas: a Dacia e a Renault.
Já em 2026, no mês de Fevereiro, em veículos ligeiros de passageiros (VLP):
- Dacia: 354 unidades bi-fuel;
- Renault: 261 unidades bi-fuel.
A Mitsubishi Motors tem uma presença mais residual neste segmento. Entre o Colt e o ASX, no mesmo período a marca japonesa registou apenas 12 matrículas VLP.
Modelos mais procurados pelos portugueses também têm GPL
Esta tecnologia é tão relevante que influencia diretamente os modelos mais procurados pelos portugueses.
De facto, considerando todas as motorizações, o Renault Clio foi o automóvel mais vendido em Portugal em 2025, seguido pelo Dacia Sandero, que fechou o ano na terceira posição. Contudo, nas versões bi-fuel (gasolina/GPL), o cenário inverte-se: o Sandero liderou, logo à frente do Clio. Cada um dos modelos totalizou cerca de cinco mil unidades vendidas.
Estes números reforçam a importância crescente do GPL no mercado nacional, sobretudo no setor empresarial. Para muitas frotas, a tecnologia bi-fuel representa uma alternativa prática aos veículos comerciais a gasóleo, numa fase em que a transição para os veículos elétricos ainda enfrenta limitações em termos de autonomia e de infraestruturas de carregamento.
Adicionalmente, o GPL beneficia de vantagens fiscais, tais como a dedução parcial do IVA e uma tributação autónoma mais reduzida, fatores que conferem a esta solução algum nível de competitividade no contexto das frotas das empresas.
Aspetos a ter em conta no uso do GPL
Apesar das vantagens evidentes, o GPL não é uma solução universal. Entre os principais aspetos a considerar, destacam-se:
- Consumo ligeiramente superior ao da gasolina;
- Rede de abastecimento menos abrangente (embora suficiente);
- Acesso condicionado em alguns parques de estacionamento subterrâneos que não cumpram as regras de ventilação e segurança contra incêndios previstas no Decreto‑Lei 220/2008 e restante legislação aplicável;
- Menor relevância para condutores com baixa utilização anual.
Há, no entanto, um aspeto técnico importante a considerar na utilização de veículos bi-fuel.
Apesar de circular principalmente a GPL, é aconselhável que o condutor use gasolina de forma regular, garantindo assim a lubrificação adequada e o funcionamento dos componentes do sistema de injeção e do motor.
A prática comum entre muitos especialistas é aconselhar que se faça um depósito a gasolina em cada cinco ou seis depósitos. Este cuidado simples contribui para a longevidade mecânica e para um funcionamento mais equilibrado do veículo a longo prazo.
Uma alternativa que ganha relevância
O crescimento do GPL em Portugal tem acontecido de forma relativamente discreta, o que contrasta com o que se passa noutros países, onde este tipo de combustível tem tido um crescimento mais exponencial.
Ainda assim, os números e o comportamento do mercado português indicam uma vontade por parte dos condutores particulares e das empresas de encontrarem soluções que lhes permitam reduzir o impacto da utilização do automóvel nos seus orçamentos.
É precisamente aqui que o GPL se destaca.
Conclusão
O GPL não elimina a dependência dos combustíveis fósseis nem resolve todos os desafios da mobilidade atual. No entanto, oferece algo cada vez mais valorizado pelos condutores: previsibilidade no custo de utilização.
Esta previsibilidade resulta de três fatores estruturais:
- Mercado próprio: o GPL é comercializado num segmento de mercado relativamente separado da gasolina e do gasóleo. Mesmo que os derivados do petróleo sofram aumentos repentinos, o preço do GPL tende a oscilar de forma mais moderada, protegendo parcialmente o consumidor;
- Menor pressão fiscal: em Portugal, o GPL suporta impostos sobre combustíveis mais baixos do que a gasolina e o gasóleo. Ou seja, mesmo que haja um aumento no preço do crude, o impacto no custo final para o condutor é menor;
- Preço por quilómetro mais estável: embora haja um consumo ligeiramente superior, o preço mais baixo por litro mantém o custo por quilómetro significativamente inferior ao da gasolina ou do gasóleo. Deste modo, o orçamento mensal fica mais previsível e fácil de controlar.
Além disso, com cuidados simples, como abastecer ocasionalmente com gasolina (idealmente um depósito a cada cinco ou seis de GPL), é possível assegurar a longevidade do motor e do sistema de injeção.
Num momento em que o custo dos combustíveis continua a pesar no orçamento familiar ou empresarial, estas características fazem do GPL, por enquanto, uma alternativa prática e vantajosa para quem procura reduzir o impacto da volatilidade dos combustíveis.
Simulador de custos gasolina, gasóleo e GPL
Este simulador permite comparar o custo médio com cada um dos três combustíveis por 100 km.
Permite ajustar:
- O preço de cada combustível (por defeito, preço médio diário 26/0/2026 fornecido pela DGEG; consulte o link para consultar os valores atuais: https://precoscombustiveis.dgeg.gov.pt/estatistica/preco-medio-diario);
- Consumo médio do automóvel;
- Quilometragem pretendida
Simulador de Custo de Combustível
| Combustível | Custo por 100 km (€) | Custo por 1000 km (€) |
|---|---|---|
| Gasolina | - | - |
| Gasóleo | - | - |
| GPL | - | - |












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