A gestão das frotas automóveis das empresas está a tornar-se cada vez mais estratégica. Mais do que escolher veículos, as empresas procuram hoje otimizar custos, melhorar a eficiência operacional e alinhar as suas políticas de mobilidade com objetivos de sustentabilidade.
No texto anterior analisámos a evolução da eletrificação e o nível de preparação das frotas das empresas em Portugal.
Neste artigo, exploramos outra conclusão importante do Car Policy Benchmark 2025, estudo da Ayvens Portugal: a profissionalização da gestão do parque automóvel das empresas.
O custo total de utilização ganha importância

Um dos indicadores mais claros desta evolução é o aumento da utilização do TCO (Total Cost of Ownership) como critério de decisão.
Atualmente, 83% das empresas utilizam o TCO para avaliar as suas decisões de frota, um aumento significativo face aos 73% registados em 2022.
O TCO permite analisar o custo total de um veículo ao longo do seu ciclo de vida, incluindo:
- Energia ou combustível;
- Manutenção;
- Seguros;
- Fiscalidade;
- Valor residual.
Esta abordagem permite tomar decisões mais informadas e evitar escolhas baseadas apenas no preço inicial do veículo.
Contratos de renting cada vez mais longos

Outra tendência relevante é o aumento da duração média dos contratos de renting. Constata-se que, entre 2022 e 2025, a duração média passou de 47 para 51 meses.
Ao mesmo tempo, a percentagem de contratos com duração igual ou superior a cinco anos aumentou de 9% para 31%.
A principal razão está relacionada com a gestão de custos: contratos mais longos permitem rendas mensais mais competitivas, algo particularmente importante num contexto de inflação e aumento do preço dos veículos.
Plafonds de renda substituem plafonds de aquisição

Também se registou uma mudança significativa na forma como as empresas definem os limites de custo para os veículos.
Em 2025, 82% das empresas utilizam plafonds de renda, enquanto anteriormente existia um equilíbrio entre plafonds de aquisição e de renda.
Nos últimos três anos, os plafonds de renda aumentaram em média 11%, com maior impacto em:
- Equipas comerciais;
- Chefias intermédias.
Este aumento reflete sobretudo o crescimento do preço dos automóveis e a evolução tecnológica do mercado.
Eletrificação das frotas empresariais acelera em Portugal, revela estudo da Ayvens
Renting com mais serviços incluídos

O estudo da Ayvens Portugal revela também um aumento no número de serviços incluídos nos contratos de renting.
A concentração média de serviços passou de 78% para 81%.
Entre os serviços mais frequentemente incluídos destacam-se:
- Veículos de substituição;
- Seguros;
- Serviços de recondicionamento.
Esta evolução mostra que as empresas procuram cada vez mais soluções integradas de mobilidade, simplificando as tarefas inerentes à gestão da frota.
Corresponsabilização dos condutores

Outra tendência identificada é o aumento da corresponsabilização dos condutores nos custos associados aos seguros.
A percentagem de empresas que aplicam este modelo subiu de 29% para 33%.
Normalmente, esta partilha refere-se ao valor da franquia em caso de acidente e tem como objetivo incentivar uma condução mais responsável e reduzir a sinistralidade.
Empresas portuguesas mais preparadas para a Mobilidade Elétrica
Uma gestão cada vez mais estratégica
No conjunto, estas tendências mostram que a gestão de frotas está a tornar-se uma área cada vez mais estruturada dentro das organizações.
As decisões deixam de ser apenas operacionais e passam a integrar dimensões como:
- Sustentabilidade;
- Controlo de custos;
- Experiência dos colaboradores
A evolução das políticas de frota mostra que as empresas estão a adotar uma abordagem cada vez mais estratégica, baseada na análise do custo total de utilização (TCO) e numa gestão mais estruturada dos recursos de mobilidade.
No próximo e último artigo desta série, olhamos para a experiência dos condutores, um novo capítulo do estudo que analisa como os utilizadores estão a viver a transição para a mobilidade elétrica e quais são os principais desafios no dia-a-dia.
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