O Fiat Grande Panda beneficia de um fenómeno interessante: consegue cruzar gerações, apelando tanto a quem guarda memória emocional do Panda original como a um público mais jovem, atraído por um design simples, funcional e atual.
Talvez seja ainda cedo para dizer que este carro representa um ponto de viragem importante para a marca italiana. Contudo, só em 2025, foram matriculadas em Portugal cerca de 500 unidades da versão híbrida e quase 400 da variante 100% elétrica. Números que ajudam a explicar porque começa a ser cada vez mais comum encontrá-lo nas estradas nacionais.
Apesar do nome, o Grande Panda não vem substituir o Panda clássico, que continua disponível no mercado sob a designação Pandina. Trata-se de uma expansão da gama, com um modelo de maiores dimensões, com quatro metros de comprimento, cinco portas e cinco lugares, e com uma vocação familiar mais clara.
O Panda cresceu, mas manteve o essencial
Se cresceu nas dimensões, na tecnologia e na ambição, o Grande Panda procura manter intacto o espírito de simplicidade e racionalidade que sempre definiu o modelo.
A base técnica é a plataforma multienergia do Grupo Stellantis, partilhada com modelos como o Citroën C3, Opel Corsa, Peugeot 208 ou Jeep Avenger. Esta arquitetura permite acomodar diferentes soluções de propulsão, do motor térmico ao elétrico, garantindo à Fiat a flexibilidade necessária para responder às exigências atuais em matéria de emissões, eficiência e fiscalidade, fatores cada vez mais determinantes nas decisões de compra, sobretudo no contexto empresarial.
Design: herança reinterpretada
Visualmente, o Grande Panda assume uma identidade própria, inspirada no conceito Panda 4×4 apresentado no início de 2024, que já evocava o icónico Panda 4×4 original.
O atual mantém linhas simples e geométricas, com uma frente dominada por um painel contínuo, que agora integra iluminação em LED. Há neste traço uma sensação clara de robustez. As rodas, que podem chegar às 17 polegadas, ajudam a reforçar essa postura mais sólida e aventureira, sem nunca cair em excessos estilísticos.
Interior funcional e descomplicado
No interior, a abordagem é funcional e descomplicada.
O painel de bordo horizontal integra dois ecrãs, um de 10 polegadas para o painel de instrumentos e outro de 10,25 polegadas para o sistema multimédia, ambos inseridos numa moldura inspirada no icónico edifício Lingotto, em Turim. É uma referência subtil à história da marca, mais simbólica do que decorativa.
Os grafismos são simples, a navegação intuitiva e as opções de personalização contidas, mas coerentes com o posicionamento do modelo.
Os materiais são maioritariamente duros, como seria de esperar neste segmento, mas bem montados e agradáveis ao toque. Há também múltiplas piscadelas de olho ao Panda original, visíveis nos padrões dos bancos e em pequenas inscrições decorativas.
O espaço não é abundante, mas é suficiente para cinco adultos em trajetos quotidianos. A ergonomia está bem resolvida e a posição de condução, ligeiramente elevada, facilita o acesso ao habitáculo e melhora a visibilidade em ambiente urbano.
Já os bancos dianteiros são confortáveis, embora ofereçam pouco apoio lateral. Os encostos de cabeça integrados poderão não agradar a todos os condutores.
Funcionalidade como argumento central
A funcionalidade é, definitivamente, um dos pontos fortes do Grande Panda. A Fiat apostou numa solução pouco comum neste segmento, ao integrar um duplo porta-luvas, com um compartimento superior de abertura vertical para pequenos objetos e um inferior mais profundo. No total, o habitáculo oferece 13 litros de espaços de arrumação, o que contribui para uma utilização diária mais descomplicada.
Pormenor curioso: por causa dos dois porta-luvas, o airbag do passageiro da frente está instalado no tejadilho. A solução não é inédita no grupo; já o Citroën Cactus tinha resolvido a questão da mesma forma, precisamente pelo mesmo motivo.
A bagageira destaca-se claramente. Com 412 litros nas versões térmicas e 361 litros nas elétricas, apresenta valores de referência no segmento. Em contrapartida, a ausência de um piso de dupla altura faz com que, ao rebater os bancos traseiros, se forme um desnível que limita a versatilidade em cargas maiores.
O espaço para o banco traseiro é adequado, permitindo acomodar confortavelmente dois adultos e uma criança.
Motorização híbrida: foco na eficiência
A versão híbrida ensaiada recorre ao conhecido sistema 1.2 MHEV de 110 cv do grupo Stellantis.
Combina um motor a gasolina de três cilindros com 101 cv e um motor elétrico de 29 cv integrado na caixa automática de seis velocidades. Não se trata de um híbrido pleno, mas de uma solução pensada para melhorar a eficiência em contexto urbano, permitindo pequenas deslocações em modo elétrico a baixas velocidades, como em manobras ou trânsito congestionado.
Os números são equilibrados. A aceleração dos zero aos 100 km/h faz-se em cerca de 10 segundos e a velocidade máxima fica nos 160 km/h.
Face à versão elétrica de 113 cv, o híbrido é significativamente mais leve, menos 217 kg. Isso reflete-se numa maior agilidade em estrada. O funcionamento do sistema é suave e silencioso, com transições discretas entre os dois motores. A caixa automática revela alguma lentidão nas reduções, um comportamento já conhecido noutros modelos com esta transmissão, mas que em nada compromete uma condução diária descontraída.
Conforto urbano e consumos controlados
Em ambiente urbano, o Grande Panda sente-se no seu elemento. As dimensões compactas, a boa visibilidade e a direção leve facilitam a condução e o estacionamento.
A suspensão privilegia claramente o conforto, absorvendo bem as irregularidades no eixo dianteiro. Pelo contrário, o eixo traseiro revela alguma secura em pisos mais degradados. Em estrada, transmite segurança e estabilidade, sem qualquer pretensão dinâmica, o que demonstra que o foco desta versão está claramente orientado para o conforto, a eficiência e a funcionalidade de um Grande Panda versátil, mais do que para uma condução entusiasta.
Os consumos confirmam essa filosofia. Em utilização mista, é fácil obter médias entre 4,5 e 5,0 litros por 100 quilómetros, valores particularmente interessantes para quem percorre muitos quilómetros em cidade ou utiliza o automóvel como ferramenta de trabalho.
Equipamento e versões em Portugal
Em Portugal, o Fiat Grande Panda Hybrid está disponível nos níveis de equipamento Icon e La Prima.
A versão de entrada oferece o essencial, enquanto a La Prima acrescenta jantes de maior dimensão, acabamentos mais cuidados e um pacote tecnológico mais completo. A gama de cores é ampla e permite alguma personalização estética.
De série, o modelo inclui os principais sistemas de assistência à condução, como travagem automática de emergência, reconhecimento de sinais de trânsito, alerta de saída de faixa e limitador de velocidade. A versão mais equipada soma ainda câmara de marcha-atrás e sensores dianteiros.
Um fenómeno que cruza gerações
Concluindo, o Fiat Grande Panda Hybrid 110 cv representa uma evolução coerente do conceito original.
Continua a ser um automóvel simples, prático e acessível, mas agora mais preparado para responder às exigências atuais de mobilidade, eficiência e utilização familiar. Não é o mais refinado nem o mais envolvente do segmento, mas compensa com espaço, consumos contidos e uma funcionalidade bem pensada.
É também um carro com uma carga emocional que cada vez mais construtores automóveis desejam conseguir nos dias de hoje. Capaz de dialogar com diferentes gerações, o Panda cresceu, adaptou-se aos novos tempos, mas conseguiu fazê-lo sem perder a identidade ou aquele charme que faz alguns automóveis conseguirem perdurar no tempo.
Ficha Técnica do Fiat Grande Panda Hybrid 110 cv
| Motor | 1.2 L, 3 cilindros a gasolina, Hybrid MHEV, 110 cv |
|---|---|
| Transmissão | Caixa automática eletrificada de seis velocidades, tração dianteira |
| Motor Elétrico | Tecnologia de 48 V. Potência de 21 kW / 29 cv |
| Aceleração | 10 segundos |
| Velocidade máxima | 160 km/h |
| Consumo combinado | 5,1 l/100 km (WLTP) |
| Emissões CO₂ | 117 g/km |
| Dimensões (C × L × A) | 3.999 × 1.763 × 1.581 mm |
| Distância Entre-eixos | 2.540 mm |
| Altura ao solo | cerca de 18 cm |
| Bagageira (5 lugares) | 412 L; até cerca de 1.200 L com bancos rebatidos |
| Pneus | 215/55 R17 |
| Peso vazio | aprox. 1.200 kg |


























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