A DS Automobiles continua a trilhar o seu próprio caminho dentro do segmento premium. Num mercado em que modelos de marcas como a Audi, BMW, Mercedes-Benz e Volvo continuam a ser as referências naturais para frotas, a marca francesa posiciona-se de forma diferente, mais orientada para conforto, imagem e diferenciação.
O DS Nº8 Long Range encaixa precisamente nessa lógica. É um modelo pensado para quem valoriza a utilização diária, muitas vezes intensiva, e precisa de um automóvel que funcione bem no contexto real, sem exigir adaptações constantes.

Design com presença e foco
Visualmente, o DSº8 tem presença. As linhas são marcantes, com uma assinatura luminosa forte e um desenho que foge ao conservadorismo habitual do segmento.
Não é um pormenor irrelevante. Em contexto empresarial, a imagem continua a ter peso, e este é um carro que se destaca com facilidade.
Prioridade ao conforto e ao ambiente a bordo
No interior, o conforto é um dos aspetos mais evidentes. A posição de condução é natural, com bancos largos e bem concebidos, que permitem um ajuste preciso para se alcançar uma postura correta, sobretudo para quem passa muitas horas ao volante.
A qualidade dos materiais acompanha esta abordagem, com superfícies agradáveis ao toque e um ambiente mais cuidado do que o habitual. Há uma preocupação clara em criar bem-estar, mais do que impressionar com tecnologia.
A distância entre eixos inferior a 3 metros, aliada à linha descendente do tejadilho, limita o espaço nos lugares traseiros, mas permite uma bagageira mais ampla e com melhor acessibilidade.
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Tecnologia distintiva
O cuidado com o ambiente vai além dos materiais. Os elementos gráficos do sistema digital e as animações são consistentes com a identidade da marca, apresentando um aspeto cuidado e diferente do habitual.
No entanto, nem tudo é perfeito. A interface digital, apesar de visualmente apelativa, exige algum tempo de adaptação. Há soluções pouco convencionais e alguns menus menos intuitivos, o que pode não agradar a todos, especialmente em contexto de utilização partilhada em frota.
A lógica é a mesma na consola central e nos painéis das portas seguem essa mesma lógica, com padrões e detalhes decorativos que reforçam a sensação de um produto trabalhado, quase mais próximo de um objeto de design do que de um simples posto de condução. É visualmente distintivo, mas nem sempre intuitivo, sobretudo para quem privilegia a funcionalidade imediata.
Condução suave e consistente
Ainda assim, a componente tecnológica está presente nesta versão do DS Nº8.
O sistema de condução com função one-pedal é um bom exemplo. Em ambiente urbano, possibilita uma condução mais fluida, com desacelerações progressivas e previsíveis. Funciona muito bem no dia a dia e reduz a necessidade de recorrer ao travão, o que se torna natural muito rapidamente.
O cruise control adaptativo segue a mesma linha. Atua de forma suave, sem intervenções bruscas, contribuindo para uma condução mais relaxada, sobretudo em percursos longos.
Em andamento, o comportamento confirma o esperado. Trata-se de um automóvel claramente afinado para o conforto. Absorve bem as irregularidades da estrada, é silencioso e transmite estabilidade, sobretudo em autoestrada.
Não incentiva uma condução mais dinâmica, nem é esse o seu objetivo. A direção é leve e a carroçaria inclina nas curva, mas mantém sempre um comportamento previsível e seguro.
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Consumos reais e autonomia
Em utilização diária com percursos mistos, é possível alcançar uma média de 18 kWh/100 km, um valor equilibrado para o posicionamento do modelo.
Já em autoestrada, sobretudo a ritmos mais elevados e com o modo desportivo ativado, os consumos sobem facilmente para valores superiores a 22 kWh/100 km.
Na cidade, a regeneração ajuda a manter a eficiência sob controlo e contribui para uma gestão mais previsível da autonomia.
De qualquer modo, com o DS Nº8 Long Range é possível realizar viagens superiores a 500 quilómetros com uma única carga, em condições favoráveis e, sobretudo, com um ritmo de condução estável.

Enquadramento em frota: pontos fortes e reservas
Do ponto de vista da gestão de frotas, há vários fatores relevantes.
O nível de equipamento é elevado e contribui para uma boa perceção de valor. O enquadramento fiscal pode ser interessante, dependendo da configuração, e o conforto geral do conjunto constitui um argumento forte para os utilizadores que passam muito tempo em deslocação.
Por outro lado, a questão do valor residual pode suscitar algumas dúvidas, sobretudo quando comparado com marcas mais estabelecidas neste segmento.
Em suma, a versão Long Range, apenas com tração dianteira, do DS Nº8 faz sentido numa lógica muito específica. Não é a escolha mais óbvia, mas também não tenta sê-lo. Funciona bem para quem procura uma alternativa diferenciada, com foco no conforto, na imagem e numa experiência de utilização mais tranquila.
A decisão de o incluir numa frota depende do perfil de utilização, mas tende a ser positiva quando o objetivo é oferecer algo distinto sem comprometer o essencial. Não é um carro para todos, mas é precisamente aí que reside parte do seu interesse.
Ficha Técnica do DS nº8 Collection FWD Long Range
| Motor elétrico | Motor elétrico dianteiro |
|---|---|
| Potência | 180 kW/245 cv (boost de 280 kW) |
| Binário máximo | 343 Nm/4.900-7.000 rpm |
| Transmissão | Transmissão Automática |
| Bateria íon-lítio (capacidade útil) | 97,2 kWh/400 V (c/ gestão inteligente das bateria e bomba de calor) |
| Carregamento | AC: 11 kW/opção de 22 kW (com função V2L); DC: 160 kW (de 20 a 80% em cerca de meia hora) |
| Autonomia elétrica WLTP | Até 750 km |
| Aceleração 0–100 km/h | 7,8 segundos |
| Velocidade máxima | 190 km/h |
| Consumo combinado WLTP | 12.9 kWh/100 km |
| Emissões CO₂ WLTP | 0 g/km |
| Bagageira | 620 litros |
| Dimensões (C × L × A, largura com espelhos) | 4.835 × 1.895 x 1.575 mm |
| Distância entre eixos | 2.905 mm |
| Peso em vazio | 2.180 kg |
























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