Norma Euro 7: impactos para construtores automóveis e compradores

euro 7

A norma Euro 7 representa uma alteração profunda no modo como se certificam automóveis Ligeiros de Passageiros e Veículos Ligeiros de Mercadorias na Europa.

Mais do que definir apenas limites de emissões de escape, introduz medições de emissões de travões e pneus, durabilidade de baterias e requisitos de monitorização em circulação real.

Este artigo explica de forma técnica, mas acessível, como a norma se aplica, quais os prazos, as medidas concretas para o setor e o que isto significa para construtores, frotas e consumidores.

I – O que é a Euro 7 e quais são os seus objetivos

A regulamentação (UE) 2024/1257 aprovada em Abril de 2024 definiu a norma Euro 7, unifica e reforça os requisitos para veículos ligeiros e pesados na UE.

Os principais objetivos incluem:

  • Reduzir a poluição não só dos gases de escape, mas também de travões e pneus;
  • Garantir maior durabilidade e rastreabilidade de baterias;
  • Monitorizar emissões reais em circulação não apenas em laboratório. (1). A norma aplica-se às categorias de veículos M1 (passageiros) e N1 (comerciais ligeiros) e posteriormente a categorias mais pesadas. (2)

II – Principais prazos de implementação

  • Para novos tipos de veículos ligeiros (M1/N1): a partir de 29 de Novembro de 2026;
  • Para todas as novas matrículas de veículos ligeiros: a partir de 29 de Novembro de 2027.
  • Para veículos mais pesados (M2, N2 etc.): prazos posteriores conforme a regulamentação.

Os prazos servem para criar uma janela de preparação para construtores, fornecedores e frotas.

III – Medidas técnicas e valores de referência

– Emissões de escape

Embora muitos valores de gases (CO, NOx, PM) mantenham-se próximos dos níveis Euro 6, a norma define que partículas serão contadas a partir de 10 nm em vez de 23 nm, tornando os requisitos mais rigorosos. (2)

– Partículas de travão e pneus

Pela primeira vez, há limites para partículas de travão (PM10).

Ainda que incluídos no acordo provisório da Euro 7 para Veículos Ligeiros, admite-se que a sua implementação plena possa requerer ainda ajustes técnicos:

  • Veículos 100% elétricos (BEV) – até 3 mg/km de partículas de travão;
  • Veículos com motor gasolina, diesel, híbrido – até 7 mg/km.

Também serão estabelecidas regras de abrasão para pneus, com fases de introdução a partir de 2028. (1)

IV – Durabilidade de baterias

Os Veículos Ligeiros vão ter de garantir que a bateria manterá uma percentagem mínima de capacidade ao longo de anos e quilómetros.

Por exemplo, ser igual ou superior a 80% da capacidade após 5 anos ou 100.000 km.

V – Obrigações para os construtores europeus

Os construtores deverão:

  • Refazer sistemas de escape, pós-tratamento, travões e materiais de pneus para cumprir os novos limites;
  • Implementar sistemas de monitorização a bordo para medir emissões, desempenho das baterias e uso real dos veículos;
  • Adaptar veículos comerciais ligeiros (N1), nomeadamente furgões, para suportarem os novos requisitos de durabilidade, emissões de partículas e transição para elétricos;
  • Considerar o custo adicional de conformidade. Estimativas indicam que o custo extra por veículo pode variar substancialmente. (3)

A Euro 7 aumenta a durabilidade das emissões dos veículos com motor de combustão, passando de 160.000 km ou 5 anos (Euro 6) para 200.000 km ou 10 anos.

Na prática, os sistemas de retenção e tratamento de gases terão de manter o desempenho durante muito mais tempo, o que obriga a soluções técnicas mais robustas e consistentes.

VI – Impacto para consumidores

– Modelos disponíveis e preços

  • O aumento dos custos de desenvolvimento poderá traduzir-se num aumento de preços;
  • Pela mesma razão, na retirada de versões de entrada mais simples e acessíveis;
  • Modelos com motor de combustão podem tornar-se menos competitivos face a elétricos e híbridos.

O custo final de cada veículo continuará a depender não apenas da política de preços de cada construtor, mas também da política fiscal de cada Estado-Membro da UE, que pode variar de forma significativa dentro do espaço comunitário.

VII – Impacto nas Frotas. Veículos comerciais ligeiros (furgões)

Para empresas de frotas e veículos comerciais ligeiros (categoria N1), a norma traz grande pressão:

  • Maior custo de conformidade e necessidade de eletrificação mais cedo;
  • Impacto no Custo Total de Utilização (TCO), que deverá ser considerado em futuros contratos de aquisição e leasing;

VIII – Eletrificação e modelos híbridos

  • Veículos elétricos (BEV) passam a estar abrangidos. Além de motores limpos, terão de cumprir limites de partículas de travão/pneus;
  • Híbridos plug-in (PHEV) são bastante afetados. Terão métodos de aferição de emissões mais exigentes. Continuarão sujeitos a limites de durabilidade da bateria.

Para o consumidor, isto significa que os elétricos ganham ainda mais vantagem competitiva. Já os híbridos plug-in enfrentam requisitos ainda mais rigorosos, correndo o risco de ficarem menos competitivos.

Será este o fim dos motores a diesel nos automóveis ligeiros?

Não exatamente.

A norma Euro 7 não proíbe os motores diesel, mas impõe exigências técnicas e de durabilidade que tornam o seu custo de conformidade muito elevado.

Em paralelo, as metas de CO₂ da UE (como a proibição de vendas de motores de combustão para 2035) empurram a eletrificação.

Assim, embora não exista uma ameaça direta aos motores diesel, a norma acelera o fim da sua disponibilidade nos veículos ligeiros. Especialmente em meios urbanos e frotas empresariais.

Para usos muito específicos (longas distâncias e zonas sem infra-estrutura de carregamento), veículos com motor a gasóleo poderão continuar a ser uma opção. Embora a tendência clara seja para a eletrificação.

Conclusão

A norma Euro 7 representa uma viragem técnica e estratégica na mobilidade automóvel europeia. Construtores, fornecedores, frotas e consumidores devem preparar-se para:

  • Novos padrões de emissões (escape e não-escape);
  • Maior ênfase em durabilidade e ciclo de vida;
  • Impacto no custo e preço dos veículos;
  • Acelerar da eletrificação. Especialmente em Veículos Comerciais Ligeiros;
  • Planeamento antecipado será essencial.

Fontes:

EUR-Lex. Regulation (EU) 2024/1257 of the European Parliament and of the Council

(1) The ICCT (2024). Euro 7: The new emission standard for light- and heavy-duty vehicles in the EU

(2) DieselNet. European emission standards: Cars and Light Trucks – EU / Euro 7

(3) ACEA – European Automobile Manufacturers’ Association. Direct costs of Euro 7 study

Autor

  • Radar automovel

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