Depois da Violeta Ferraz ter dado a sua opinião sobre o Mazda CX-80 na versão híbrida plug-in, houve vontade de regressar ao volante do grande SUV da marca japonesa, mas agora equipado com o volumoso motor 3.3 turbodiesel de seis cilindros em linha.
Este ensaio serve para responder a uma questão simples: será que o CX-80 faz mais sentido em diesel do que em PHEV?
A unidade testada corresponde à versão Homura Plus, com configuração de seis lugares, aquela que substitui o banco corrido da segunda fila por dois assentos individuais. Diferente, portanto, da outra versão ensaiada, o que pode fazer diferença face ao tipo de utilização pretendida.
Design e dimensões
À primeira vista, o CX-80 continua a impressionar pelo porte. Com quase cinco metros de comprimento e uma distância entre eixos superior a três metros, ainda assim, a largura contida ajuda e a sensação ao volante é de maior controlo do que inicialmente parece.
Visualmente, esta versão diesel é praticamente indistinguível do PHEV. À exceção de pequenos detalhes como a inscrição “Inline6” no guarda-lamas dianteiro e ausência da porta de carregamento.
De resto, mantém o mesmo desenho elegante e sóbrio, típico da Mazda, sem recorrer a exageros estéticos.
O Mazda CX-80 diesel combina a robustez de um seis cilindros com o refinamento e o conforto de um verdadeiro SUV premium familiar
Qualidade e tecnologia a bordo
No interior, o CX-80 confirma a excelente forma da marca ao nível da qualidade percebida.
A versão Homura Plus eleva ainda mais a fasquia, com estofos em pele Nappa, superfícies macias no tablier, nas portas e na consola central, e um ambiente claramente premium, mas sem ostentação. É um interior que privilegia o conforto e a sensação de solidez, mais do que o impacto visual imediato.
Os bancos dianteiros são particularmente bem conseguidos. Totalmente elétricos, com aquecimento, ventilação, memória e apoio lombar, revelam-se confortáveis mesmo em viagens longas. A posição de condução é fácil de afinar, a coluna de direção também tem ajuste elétrico e o volante aquecido é um daqueles detalhes que, nos dias frios em que decorreu o ensaio, rapidamente se mostrou desejável.
A ergonomia continua a ser um dos pontos fortes da Mazda, com comandos físicos para as funções essenciais, incluindo a climatização, e o conhecido controlador rotativo do sistema de infoentretenimento, que permite operar quase tudo sem tirar os olhos da estrada.
Ao nível tecnológico, o CX-80 Homura Plus está bem equipado, embora não tente deslumbrar. O ecrã central de 12,3 polegadas é compatível com Apple CarPlay e Android Auto. Uma característica importante é o facto de o ecrã permitir interação tátil mesmo durante a condução, depois de acionado um comando de autorização. O sistema nativo da Mazda, mesmo se comandado a partir do comando rotativo, mostra-se lógico e fácil de navegar com alguma habituação, apesar do conservadorismo da aparência.
À frente do condutor encontra-se um painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas, claro e bem legível, embora com poucas opções de personalização. Em contrapartida, o head-up display é excelente e contribui para uma condução mais segura.
Espaço e versatilidade
A configuração de seis lugares acaba por ser um dos trunfos mais interessantes desta versão. Os bancos centrais individuais deslizam longitudinalmente sobre calhas, o que não só melhora o conforto dos passageiros da segunda fila como facilita bastante o acesso à terceira fila.
A entrada para os lugares mais atrás é simples e prática, algo que nem sempre acontece em SUV deste tamanho. A segunda fila oferece muito espaço para pernas e cabeça, mesmo para adultos altos, e inclui aquecimento dos bancos laterais, climatização própria, cortinas manuais, portas USB-C e bons espaços de arrumação.
Embora, por regra, a terceira fila seja mais indicada para crianças ou para trajetos curtos com adultos, no caso do CX-80, o espaço para as pernas (se os passageiros da fila central prescindirem de um pouco do seu espaço) até pode surpreender. Aqui, também há saídas de ar, portas USB-C e porta-copos dedicados, o que ajuda a tornar o espaço mais utilizável.
Com as três filas montadas, os 258 litros disponíveis de bagageira podem ser suficientes para o dia a dia. Para um SUV de sete lugares é até uma capacidade interessante. Mas, com a terceira fila rebatida, o espaço cresce de forma significativa e, com as duas filas traseiras rebatidas, em comprimento e largura, a volumetria do espaço livre não deverá ficar muito longe da oferecida por um furgão médio.
Espaçoso, eficiente e surpreendentemente agradável de conduzir, o CX-80 prova que o diesel continua a ser a escolha ideal para longas viagens
Motor e comportamento em estrada
Ao volante é onde este CX-80 diesel mais se distingue do PHEV. O motor 3.3 e-Skyactiv D, com 254 cv e 550 Nm, não impressiona tanto pelos números, mas pela forma como entrega a potência. É suave, progressivo e muito bem acompanhado pela caixa automática de oito velocidades.
No entanto, é importante dizer que este motor, apesar do pequenos apoio elétrico de uma bateria de 48V (mild-hybrid), é naturalmente mais ruidoso do que a versão híbrida plug-in. Esse ruído faz-se sentir sobretudo a baixa velocidade, nos arranques e quando se pede mais ao motor (precisamente onde o apoio de um motor elétrico com mais potência e autonomia “alivia” o esforço de um motor de combustão), como numa ultrapassagem em que as rotações sobem de forma mais evidente. Em velocidade de cruzeiro, porém, o cenário muda e o CX-80 revela um excelente isolamento acústico e o ruído do motor praticamente desaparece, tornando as viagens longas particularmente agradáveis.
Apesar do peso e das dimensões, o CX-80 diesel surpreende pela estabilidade e pelo controlo da carroçaria. A direção é precisa, transmite confiança e torna este SUV num dos modelos mais agradáveis de conduzir do segmento.
O conforto de rolamento poderia ser ligeiramente melhor em pisos urbanos mais degradados, mas, em estrada aberta, o refinamento é elevado e a sensação de serenidade a bordo é notável.
Em análise no Radar: Mazda CX-80 2.5 e-Skyactiv PHEV Takumi Plus
Diesel ou PHEV?
No final do ensaio, realizado em estradas portuguesas e com uma utilização variada, a média de consumo ficou nos 6,8 l/100 km. Um valor bastante positivo para um SUV deste tamanho e peso – afinal, estamos a falar de quase 2,2 toneladas… –, mas que dificilmente será replicável num uso predominantemente urbano, com muito trânsito e constantes arranques e paragens.
Nesse cenário, a vantagem passa claramente para a versão híbrida plug-in, sobretudo se a bateria tiver carga suficiente para permitir circular em modo totalmente elétrico durante boa parte do percurso.
Depois de testar as duas motorizações, percebe-se que o Mazda CX-80 também faz sentido com este motor diesel. Pode não ter o silêncio inicial e a sofisticação elétrica do PHEV, mas oferece uma experiência coerente, mais autonomia sem necessidade de paragens e uma relação bastante natural entre motor, chassis e peso.
O CX-80 é, definitivamente, um SUV familiar com características premium, confortável, eficiente e muito bem construído. Mais ainda nesta versão Homura Plus de seis lugares, capaz de rivalizar com propostas alemãs ou suecas.
Ao contrário do que sucede com o Mazda CX-80 PHEV, este modelo não pode ser classificado como Classe 1 nas portagens em Portugal, mesmo quando equipado com dispositivo Via Verde.
Com uma identidade própria e um refinamento que não precisa de chamar a atenção para se fazer notar. O que não o impede de, como pude comprovar mais do que uma vez, chamar a atenção e fazer-se notar!
Ficha Técnica do Mazda CX-80 2.5 e-Skyactiv PHEV AT8 AWD
| Motor a gasóleo | 3.3 L, 6 cilindros em linha, turbo |
|---|---|
| Sistema elétrico (MHEV) | Sistema mild-hybrid 48V |
| Potência combinada | 254 cv / 3.750 rpm |
| Binário máximo | 550 Nm / 1.500-2.400 rpm |
| Transmissão | Automática de 8 velocidades (8EAT), tração integral AWD |
| Aceleração 0–100 km/h | 8,4 segundos |
| Velocidade máxima | 219 km/h |
| Consumo combinado WLTP | 5,7 l a 5,8 l/100 km |
| Emissões CO₂ WLTP | 148–151 g/km |
| Bagageira | 258 a 1.971 L (até ao teto, bancos rebatidos) |
| Dimensões (C × L × A, largura com espelhos) | 4.995 × 1.890 × 1.710 mm |
| Distância entre eixos | 3.120 mm |
| Peso em vazio | aprox. 2.050–2.200 kg |






















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